Pós eleições

Depois de dias tensos e intensos, chego ao final de domingo de alma lavada. Elegemos um vereador de verdade aqui em São Paulo, o Nabil Bonduki. E ainda desmoralizamos alguns institutos de pesquisa, que já andavam sob suspeita. O risco de termos a maior cidade do país subordinada aos interesses de pa$tores evangélico$ era tenebroso, mas foi devidamente rechaçado. A civilidade dominou, o estado laico – conquista que fez boa parte da humanidade sair da Idade Média – venceu.

Talvez isso explique o fato de ter ficado ausente por uma semana aqui do Fósforo. Mas não é só. Passei os últimos dias muito focado na questão política, na gestão da aldeia onde vivo, e esse é um tema que tem um aspecto próprio em cada lugar. Decidi não te aborrecer com mais uma opinião na nuvem de informações e debates que rola por aí.

E nem estou falando de rádio ou TV, que mais uma vez se mostraram incapazes de detectar a realidade. Ficou claro que a internet, as redes sociais e os blogs independentes são cada vez mais influentes, embora a grana despejada nas eleições ainda prevaleça. Cada vez mais sou a favor do financiamento público de campanha, com X merrecas para cada candidato. Te vira, malandro! O financiamento privado é sempre cobrado lá na frente, depois que o sujeito é eleito. Alguém acredita que a construtora Y ou o banco Z acreditam nos ideais do candidato e doam milhões sem pedir nada em troca? No fim, quem paga a conta somos nós…

Enfim, as eleições não acabaram. Em muitas cidades haverá segundo turno. E uma nova batalha de idéias, de propaganda, de mentiras, de distorções está por vir, feliz ou infelizmente. Em São Paulo, temos uma Câmara renovada. Falta renovar o Executivo, que tanto prejuízo tem causado à cidade nos últimos anos.

E estou preocupado com as eleições na Venezuela. Sério! É um embate estratégico para todo o continente, entre o “socialismo do século XXI” e o “projeto neo-liberal de direita”. Com todas as aspas que as duas classificações merecem…

4 Responses to “Pós eleições”


  1. 1 Julio Xavier 08/10/2012 às 8:43 pm

    Oi Daniel. Votei no Nabil por indicação de várias pessoas, incluindo você. Agora vou ficar de olho, espero que ele honre meu voto. Talvez seja até ingenuidade minha, mas não acho que os institutos de pesquisa sejam suspeitos ou tenham publicado pesquisas falsas. A única coisa que esses institutos tem para vender é a sua credibilidade. Se ela for colocada em dúvida, acabou o instituto e suas pesquisas ficam com a mesma credibilidade de um laudo do Badan Palhares. Nos últimos 3 dias antes da eleição, a candidatura do Russomano vinha derretendo mais que sorvete ao sol. Ao mesmo tempo que é fácil detectar isso, acho que deve ser superdifícil perceber o quanto essa tendência vai se confirmar até a hora da eleição. Conheço várias pessoas – e aí eu me incluo – que tinham a séria intenção de anular o voto (principalmente se se confirmasse a tendência de termos Serra X Russomano no segundo turno) que na última hora resolveram votar no Haddad, só pela perspectiva de fazer um dos dois cair fora. Ainda bem que o varrido, foi o candidato que mais ameaçava misturar governo e religião. São Paulo é conservadora? É. Mais do que isso, São Paulo é em grande parte reacionária. Mas é uma cidade tão grande e abriga tantas correntes que quanto mais se aproximava a possibilidade de temos uma disputa entre um regime neo-liberal e um regime neo-Aiatolá, a parte da população menos conservadora resolveu reagir e tomar uma posição para que isso não acontecesse. Será que é possível a algum instituto de pesquisa detectar isso há um dia da eleição? Sei lá, acho difícil.

  2. 2 Daniel Brazil 08/10/2012 às 9:01 pm

    Grande Julio, obrigado pelo comentário.
    No entanto, vou discordar de sua avaliação de alguns “institutos de pesquisa”. Mais especificamente,, do Datafalha.
    É notório que o instituto da família Frias tem interesses políticos. Mais uma vez, ficou demonstrado. Em nenhum momento desta campanha deu mais que 19 pontos para Haddad. O petista esteve sempre “em terceiro lugar”. O cara fechou com 29…
    Lembro de outro momento forte, lá na década retrasada, quando uma eleição em Santos estava – pelo Datafalha – decidida com mais de dez pontos de diferença. Quando apuraram as urnas – oh, surpresa! – Telma de Souza, do PT, estava eleita. Desde então, o sinal amarelo acendeu.
    Pois bem: A credibilidade do Datafalha derreteu. Eu não contrataria esse instituto, que apanhou feio do Ibope aqui em Sampa. (Não que o Ibope seja perfeito, errou em outras capitais).
    O que eles fazem, afinal, para manter a credibilidade? Manipulam margem de erro. Jogue 3 pontos pra Fulano, tire 3 pontos de Sicrano, e você pode influenciar a opinião pública, né?
    Gostaria de estar errado, mas o passado da famiglia Frias a condena…

  3. 3 Daniel Brazil 08/10/2012 às 9:05 pm

    Aliás, Julio, você me fez prometer que o Nabil não vai largar o cargo. Ele nunca fez isso, mas se for chamado para ser Secretário da Habitação eu ficarei feliz. Continuará na cidade, procurando soluções para gerir esse caos. O único senão é que o primeiro suplente é o Wadih Mutreta! Brrr…. Fica na Câmara, Nabil!

  4. 4 dalila teles veras 12/10/2012 às 8:55 pm

    olá, caro Daniel,
    subscrevo integralmente seu texto, sempre lúcido e fundamentado.
    abraço forte da
    dalila


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