Penne à Brandenburgo

 

Já pensou em criar um prato? Uma receita? Parece coisa de aficionados por gastronomia, mas muitas vezes acontece em nossa vida de faminto. O famoso soborô, prato de duvidosa origem oriental, nada mais é do que o famoso ato de chegar em casa com fome, abrir a geladeira, e ver o que sobrou (soborô, em tradução escrava da pronúncia) da feira da semana passada.

Nesta sexta-feira eu até estava tranquilo. Tinha almoçado bem, num evento no Hotel Transamérica, onde provei o melhor pudim de leite de São Paulo (sei que tá rolando um concurso do Estadão sobre isso, fica aqui a dica. Uma amiga minha levitou por uns cinco minutos depois de provar uma colherada…). Enfim, cheguei em casa sem fome.

A Carmen chegou da USP em outro estado, depois da chuva e do anoitecer. Jogou-se no sofá e disse que só tinha comido um sanduíche o dia todo e ia pedir uma pizza. Abro um parêntesis para dizer – contra tudo e contra todos – que acho pizza e jantar coisas diferentes. Pizza é uma categoria à parte, algo entre petisco e aperitivo, próprio para acompanhar cerveja. Não é e nunca será um jantar. Fecha parêntesis.

Gentil, me dispus a preparar algo. Achei que ela iria insistir na pizza mas me lasquei, topou na hora. Abri a geladeira e conferi o saldo da semana. Um alho-porró, dois tomates italianos quase vencidos, duas cenouras, três beterrabas, alfaces amarrotadas, três alcachofras, meia caixinha de tomatinhos-cereja. Nada muito animador. Alcachofra é legal, mas não para matar fome.

Parti para o óbvio, uma massinha rápida. Felizmente em casa sempre tem uma caixa (ou pacote) de macarrão. “Um penne de trigo integral aberto, pela metade, é com esse que eu vou!” Um pouco de azeite na panela, uma colher de alho picado. Refoguei o alho-porró e os tomates fatiados, com um pouquinho de sal, enquanto fervia a água para o macarrão. Num impulso, joguei os tomates-cereja inteiros na frigideira, pra ver o que rolava.

Felizmente minha hortinha no quintal tem manjericão fresco o ano todo. Cortei um belo galhinho e separei as folhas. Ia colocar também orégano, que está verdejante, mas achei melhor não provocar uma briga de aromas. Ou é um ou é outro!

Em trinta minutos (quinze só para esperar a água do macarrão ferver), estava pronto. Antes de retirar o molho da panela, joguei umas azeitonas pretas fatiadas no molho para esquentar por um minuto. Penne ao alho-porró com tomatinhos cozidos, que ficaram quase desmanchados por dentro, mas inteiros. Uma sensação diferente, cada mordida é uma mistura do sal externo com o adocicado natural do interior.

Fiz tudo isso ouvindo Bach, no rádio. Após os elogios da patroa, batizei o prato: Penne à Brandenburgo. Repetirei, mas na próxima vez vou colocar umas mozarelas de búfala para dar um charme. Duro vai ser inventar outro nome…

8 Responses to “Penne à Brandenburgo”


  1. 1 Carmen 09/11/2012 às 10:43 pm

    Pode patentear. Ficou uma delícia!

  2. 2 Flor 10/11/2012 às 2:20 pm

    uau, vou querer provar quando estiver aí!

  3. 4 Jussara 13/11/2012 às 4:34 pm

    Hummm…deu água na boca!

  4. 6 Medina 14/11/2012 às 1:58 pm

    Cuidado com esse pudim!

  5. 7 dalilateles veras 14/11/2012 às 8:40 pm

    Passei (como sempre faço, ainda que em silêncio) por aqui e este seu texto me faz lembrar de Eça : “a poesia e a cozinha são irmãs”.Não há receitas em nenhum dos casos. Cozinheiro ou poeta, a receita é sempre única, autoral, você bem o sabe (e pratica, ambas). Deixo aqui o meu abraço
    dalila

  6. 8 Daniel Brazil 14/11/2012 às 8:54 pm

    Estava com saudade de teus comentários, Dalila!


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