Cronista, paulista, sambista…

 

Outono de meu tempo

Conheço Fernando Szegeri há pelo menos uma década, embora nunca tenhamos sido amigos próximos. Nunca estive na casa dele, e vice-versa. Nos encontramos nesse grande, caloroso e fragmentado arquipélago de amizades que são os botequins da cidade.

Presença constante nos bares paulistanos onde rola a boa música brasileira, é um dos animadores da roda de samba do Ó do Borogodó, com seu grupo Inimigos do Batente. Organizador de eventos musicais, produtor de shows, advogado e filósofo (!), Szegeri escreve há anos no blog Só Dói Quando Eu Rio.

Discípulo confesso e apaixonado de Rubem Braga (“o maior dos escritores brasileiros”), o camarada lançou no finalzinho do ano seu primeiro volume de crônicas (Outono do Meu Tempo, 2012,Ed. Scortecci).

Confesso que estranhei o título, com um tom meio saudosista. Parece coisa de velho, embora Zé Geri, como é chamado pelos amigos, ainda tenha muita lenha pra queimar. Por se tratar de uma coletânea, há uma natural mistura de tons, ora irônico, ora crítico, ora melancólico.

Mas sempre musical! A música é tão presente na vida de Fernando Szegeri que as citações de letras -quase sempre de sambas – brotam naturalmente no texto. E como o repertório do cara é imenso, muitas até passam batidas pro desprevenido, tão integradas estão ao desenrolar da prosa. Que beira a poesia em vários momentos, mas isso fica por conta do leitor.

O cronista se aproxima do mestre quando fala de temas universais, como um dia chuvoso, um domingo de Carnaval, uma porta de barbearia, uma noite junina. Adquire um tom mais zombeteiro quando fala de butiquins (é assim que ele grafa, pleno de razão), receitas domésticas ou um bêbado num ônibus. Aqui se aproxima de cronistas contemporâneos, mas sem nunca cair na vala comum da mera gracinha. Há sempre tutano por baixo do angu, pode apostar.

Aliás, Zgereri não se restringe a ser um “cronista paulista”.  Já morou em outras regiões, quase virou paraense, adora o Rio. É um cronista brasileiro, capaz de falar de interior e cidade grande, de Norte e de Sul, de rico e de pobre. Torce pelo Palmeiras, mas ninguém é perfeito…

Nesta terça-feira, dia 12 de março, ele faz um segundo lançamento do livro em São Paulo (onde mais?). Rumbora lá, moçada!

Lançamento

3 Responses to “Cronista, paulista, sambista…”


  1. 1 Fernando Szegeri 12/03/2013 às 5:43 pm

    Carísimo Daniel, o que você diz no começo sobre a nossa amizade assim meio “batida na trave” é desdito pelo restante do texto, que é sem dúvida DE AMIGO! Sendo assim, os teus leitores saberão perdoar os exageros…🙂 Aliás, meu caro, essas camaradagens de samba e butiquim às vezes unem a gente de um jeito que nem a gente suspeita; os ingredientes assim tão bem dispostos, às vezes só falta a gente providenciar uma centelha pra acender o fogo do tacho! Abraço agradecidíssimo e comovido!

  2. 2 José Artur Medina 17/03/2013 às 6:08 pm

    Samba?Butiquim?Butantan?Onde?


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