Eu estive aqui, parte 2

            Antigamente a gente limpava o baú e achava fotos antigas, meio esquecidas. Hoje limpamos o HD, e topamos com coisas que muitas vezes andavam esquecidas.  Assim, dou continuidade à série iniciada há pouco, que não tem nada a ver com turismo tradicional.

            Vendo estas fotos, tenho a impressão de que ainda conheço muito pouco deste país tão vasto e desigual. Já rodei vinte estados, mas não conheço direito a Zona Leste de São Paulo, cidade onde moro…

            Passei muitas férias em Ilhabela, desde criança. Esta foto de São Sebastião fiz nos anos 70, com uma Kodak desse tamaninho… A má conservação faz com que pareça ser quase um século mais velha! Hoje a Casa Esperança está restaurada e tombada pelo Patrimônio Histórico, felizmente.

Casa Esperança 1975

A primeira vez que nadei no rio Tapajós foi em 2005. Lá conheci o Saúde e Alegria,  e me apaixonei pelo projeto, feito junto com a comunidade. Naveguei rio acima nesse barco, o pioneiro. Voltei depois para a inauguração do novo e maior barco-hospital, e aí foi só festa, que já comentei aqui no Fósforo.

Barco Saúde

Uma situação incrível foi a filmagem de apiários no sertão do Piauí, em 2008, no meio da caatinga. Imagine vestir essas roupas num calor de quase 40 graus! Aí os técnicos avisam: “abelha não gosta das cores vermelha ou preta, ficam agressivas”. Vá dizer pros japoneses  fabricarem uma câmera branca, então! Os zangões se atiravam contra a lente como kamikazes, e aquele zumbido infernal quase enlouqueceu a equipe. Ninguém escapou de uma ferroada, no mínimo…

Apiário 4

Não consta dos manuais turísticos, mas é um lugar de paisagens muito bonitas: São João do Polêsine, no interiorzão do Rio Grande do Sul. Fui lá gravar umas cooperativas, e de repente caímos no meio da festa anual da colheita do arroz. Influência forte da colonização italiana. Até eleição da Rainha e das Princesas do Arroz presenciei…

Polêsine arroz

Certamente uma das coisas mais legais (e trabalhosas!) que fiz foi participar de um projeto que exibia filmes brasileiros na periferia de São Paulo. Durante meses fomos a lugares que muito paulistano não conhece, e onde você encontra brasileiros de todas as origens. Filmes de graça, exibidos numa tenda com 300 lugares, com direito a matinê para a criançada. Em praças, campinhos de futebol, terrenos baldios, quintais de igrejas…

Cinema na Rua 042

E de todas estas viagens, o que mais permanece é o contato com as pessoas. Gente de todo o tipo, cor, idade, profissão. De uma diversidade fantástica! É por isso que quando alguém me pede pra definir o brasileiro, dou risada. De qual brasileiro você está falando, cara-pálida?

6 Responses to “Eu estive aqui, parte 2”


  1. 1 Marli Belloni 28/03/2013 às 9:09 pm

    Que legal, Daniel. Sabe que o projeto de maior carinho do Fernando chama-se Cineclube em Movimento? Era o cinema itinerante de filmes brasileiros que ele (a Manufatura de Ideias) levava para as cidades do Vale do Ribeira. Tanta coisa em comum! beijos, saudades

  2. 3 dalila teles veras 28/03/2013 às 11:41 pm

    Os brasis pelo olhar de Daniel! maravilha!

  3. 5 Jussara 29/03/2013 às 8:00 pm

    Amei o post. Vou resgatar umas fotos que tirei por aí, lá dos fundões do sertão brasileiro, risos
    beijos


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