Alexandre Vannuchi Leme

Conheço relativamente bem a USP. Estudei lá, trabalhei lá e,  sendo morador do Butantã,  passeio por lá com frequência. Confesso que nunca havia entrado no prédio novo da Geociências. Fui em festas na antiga Geologia, no tempo de estudante, mas era em outro local. No pátio central, um esqueleto imenso de dinossauro nos encara, desafiador. E não é uma metáfora…

Dinossauro

Nesta sexta-feira estive no ato de reparação a Alexandre Vannuchi Leme, promovido pelo Comitê de Anistia. Pátio lotado, muitos jornalistas e câmeras de TV, depoimentos emocionados. Também foi entregue ali a certidão oficial de óbito de Wladimir Herzog à sua família, corrigindo uma mentira histórica. O governo brasileiro finalmente pede desculpas por mais um bárbaro crime cometido pela ditadura militar.

Todos conhecem a história de Herzog. A de Alexandre é menos conhecida. Aluno brilhante, primeiro da turma, foi sequestrado e torturado até a morte nos porões do DOI-CODI, em São Paulo. Militava no movimento estudantil, era simpatizante da ALN (Aliança Libertadora Nacional). um dos inúmeros grupos que se formavam para combater o regime autoritário e sanguinário instaurado em 1964 através de um golpe de estado. Alexandre tinha 22 anos, e iria se formar naquele ano, 1973.

Entrei na USP bem depois, em 79. O DCE Livre se chamava Alexandre Vanucchi Leme. O nome, desde então, me é familiar. Como é o de Rubens Paiva, Herzog, Honestino Guimarães e tantos outros que desapareceram nas grifas da repressão. Ao participar do ato, ontem, reencontrei velhos amigos. Alguns hoje são doutores, permaneceram na academia. Outros são jornalistas, geólogos, empresários, etc. O abraço fraterno de cada um dispensava palavras. O que nos unia ali era um sentimento maior que o da simples amizade estudantil. Uns militam ,outros não, uns são filiados a partidos, outros não, uns defendem X, outros defendem Y. Mas há um horizonte comum que se mantém, e que permite momentos inesquecíveis nestes reencontros. A luta pela liberdade, pela democracia, pelo fim do autoritarismo, pelos direitos iguais para todos, por um estado mais justo. E, como todos sabem, esta luta continua e continuará, sempre.

Anistia Alexandre Vannuchi 2

(Na foto, a ministra da Secretaria dos Direitos Humanos, Maria do Rosário; Paulo Abrão, presidente da Comissão de Anistia; o deputado Adriano Diogo (PT), geólogo e contemporâneo de Alexandre Vannuchi, também preso e torturado na época; o presidente do DCE da USP e o presidente da UNE).

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