Segunda feira, 17

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Tenho a impressão de que esta segunda-feira ficará como um marco na história dos movimentos sociais, no Brasil. Mais de cem mil pessoas manifestando-se pacificamente e esparramando-se pelas avenidas de São Paulo, transformando 20 centavos em pretexto para milhares de reivindicações. Algumas utópicas, outras medíocres, e várias justas. Optei por chegar ao Largo da Batata, em Pinheiros, pelo metrô. Estação lotada, filas nas catracas, emergi à superfície exatamente às 17 horas. Seguranças do Metrô orientavam a multidão, mas não havia revistas nem policiais na estação.

Do lado de fora, alguns PMS fardados se postavam junto ao tapume das obras, à distância. Gente a perder de vista. Não lembro de ter visto tanta gente nas ruas em Sampa desde, sei lá, as Diretas Já. E olha que comemorei a conquista da Libertadores do Corinthians, ano passado, na Vila Madalena!

90% de jovens. Classe média A-B-C, alguns burguesinhos achando o máximo ir para as ruas, poucos negros, nenhum índio. Mas havia sinceridade nos refrões, nas maquiagens de guerra, nos cartazes. Vontade de dizer “eu existo”, primeiro e fundamental passo para a cidadania.  Quando começou a passeata, virou um Amazonas antropomorfizado. Fiquei mais de 20 minutos parado na esquina da Faria Lima com a Rebouças, e não parou de passar gente. E cantavam “Que coincidência, sem polícia não há violência!”. De fato, não se viu PM no percurso, e nem sombra do Batalhão de Choque.  A correnteza humana se dividiu, parte foi para a Paulista, parte para a Ponte Estaiada (onde fica a TV Globo) e parte para o Palácio dos Bandeirantes. Lá sim, a PM jogou bomba nos manifestantes, afinal estavam perturbando o sossego do desgovernador Alckmin…

Voltei pra casa às 22 h, a tempo de assistir boa parte do Roda Viva com os representantes do MPL (Movimento Passe Livre), Nina e Lucas, dando um banho de  preparo e agilidade de raciocínio em cima dos entrevistadores. Me deu pena do envelhecido e envilecido PT (embora tenha encontrado vários militantes históricos no ato), dos burocratas de esquerda, e me deu a certeza de que estes jovens não se identificam, de forma nenhuma com a truculenta direita demo-tucana. Nada a ver também com o conservadorismo-conservacionista representado hoje por Marina Silva. Enfim, um dado novo em um cenário estimulante, capaz de sacudir velhas certezas e inspirar toda uma geração. Avante, moçada!

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(Visão geral da Avenida Faria Lima, às 19 h).

1 Response to “Segunda feira, 17”


  1. 1 Carmen 18/06/2013 às 1:01 am

    Pois eu saí a pé já da USP, em passeata com os estudantes e outros colegas professores até o Largo da Batata. Demorei pra encontrar Daniel, mas a espera serviu de oportunidade para observar a multidão tomando as duas pistas da Av. Faria Lima, mais de meia hora sem uma única interrupção. Foi lindo! Rejuvenescedor. Deixou-se claro que gostamos da democracia e que tropa de choque da ditadura, nunca mais.


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