Domingo, 23/06

 

Protestos

Vou fazer uma confissão, estranha para quem me conhece como aficionado e defensor da música brasileira. Um dos meus grupos favoritos de rock progressivo era o King Crimson, na adolescência. Um verso ficou ecoando em minha cabeça, nos últimos dias: “Confusion will be my epitaph”. Caminhei pela avenida Faria Lima na grande passeata dos mais-de-cem-mil, na semana passada. Testemunhei o movimento vitorioso do MPL, nos dias seguintes, ser perigosamente deturpado. Grupos nazi-fascistas, carecas, gente que não milita em nenhuma organização, sem nenhuma vontade de construir algo, apenas de destruir. Da classe A à classe D.

Atravessei Diadema à noite na sexta-feira, dia 21/6, e vi muita coisa nas 3 horas que ali passei. Não era Avenida Paulista, não apareceu na TV, não havia espetacularização nem vontade de ser visto. Fecharam a Imigrantes, ocuparam o centro da cidade, marcharam pelas ruas com frases contra os partidos e governantes. E lembrei de outra frase, de Rogério Sganzerla, do filme O Bandido da Luz Vermelha: Quando a gente não pode fazer nada, a gente avacalha.”

Quando estudantes saem gritando na rua “Ei, PT, vai tomar…”, fica nítida a falta de politização do movimento. E politização não é palavrão, vem de “polis”, lá da Grécia, Joãozinho! Claro que o PT, governando o país há dez anos, simboliza o sistema, todos os partidos, a estrutura paquidérmica do Estado. Poderia ser PSDB, PQP, PMDB, qualquer partido que ocupasse o poder nesse momento. Mas é de assustadora burrice ignorar que muitos daqueles jovens estão estudando numa universidade graças aos esforços do… PT! E não falo só do ProUni.

Aí entra o dado da ignorância política (a pior de todas, como dizia Brecht). Mas entra também um dado novo, que é a criação de um ambiente virtual que facilita toda espécie de comunicação (inclusive a mentirosa): a internet. E a globalização de informações, proporcionada por este fantástico meio, vem sem filtro, errática, torrencial. Jovens ocuparam Wall Street. Jovens fazem a primavera árabe. Jovens ocupam praça na Turquia.

Ora, se jovens estão assumindo seu protagonismo em todo o mundo, por que não aqui? No sistema antigo, eu teria de participar de reuniões (ai, que chato!), sindicatos (nem profissão eu tenho, sou terceirizado!), associações (que coisa careta!), partidos (nem pensar, odeio política!). Mas postar uma gracinha no Facebook, ah, isso é comigo mesmo, fácil, fácil! Xingar alguém pela internet? Em vez de discutir, mandar à merda? Tranquilo, e não preciso pedir inscrição, organizar argumentos sólidos, me submeter à maioria. Falo a groselha que quiser, a hora que quiser. E vou juntar os amigos pra ir às ruas e xingar tudo isso que está aí. Isso é democracia, mano!

Parece correto? Para os idiotas, sim. E tem muitos por aí, servindo de estopim para ideias muito perigosas. Fascismo, pra começar. Quem não gosta de partido, queima bandeiras em praça pública e bate em trabalhadores, historicamente, são extremistas de direita. Os extremistas de esquerda gostam de partido, desde que seja o deles. E ambos estão errados.

O que ocorreu na Avenida Paulista, na quinta-feira, 20/6, foi lamentável. Agredir militantes de partido (qualquer partido), rasgar bandeiras, é coisa de fascista. E querer impedir sindicatos, centrais sindicais e movimentos populares de se manifestar é de uma estupidez absurda. Que movimento é esse que não quer trabalhador junto? Que manifesta ódio contra o MST, os sem teto, os sindicatos? Ouvi um amigo dizer que o “novo está nas ruas”. Infelizmente, o ódio e o preconceito são muito velhos, têm a idade da humanidade, e continuam nas ruas. E, vamos falar sério: quem sai às ruas de rosto coberto, é covarde ou mal-intencionado. A juventude dos anos 60, 70 ou 80 mostrava a cara. O pessoal do MPL não esconde o rosto. Anonymous virou sinônimo de covardia. Máscara vendida a 70 centavos em Porto Alegre, São Paulo, Brasília… isso não paga os custos, quem está financiando?

Anonymous

No Facebook, elogiei um prefeito mineiro que saiu do gabinete e foi conversar com a multidão. Pois não é que um cara me chamou de “tendencioso”, porque a notícia dizia que o prefeito era petista? Veja a que ponto chega a irracionalidade. Um gesto corajoso e digno é deturpado pelo partido que o cara representa. Como se não houvesse gente no PT que lutou pela democracia, pela liberdade e pela justiça social nesse país.

Votei na Dilma, como milhões de brasileiros, mas não sou petista de carteirinha. Minha cédula (virtual) contemplou 3 siglas nas ultimas eleições. Todas de esquerda ou centro-esquerda, claro. Respeito muito o valor de certas pessoas cuja trajetória de lutas acompanho de perto. Sei do esforço delas para superar os entraves partidários, burocráticos, governamentais. A máquina pública é lerda, burra e gastadora. Mas não é sem partidos que irá funcionar.

Achei de grande maturidade o MPL ter se retirado das ruas na sexta-feira. Perceberam que o arroz estava queimando, e que o cheiro não era bom. Grupos marchando com a bandeira do Brasil e gritando “Fora, PT!” ou ofendendo o Lula é mau sinal. E os velhos meios de comunicação (TVs e jornais) que estão aí são os mesmos que apoiaram o golpe de 64, que tentaram garfar o Brizola no Rio, que ignoraram o movimento das Diretas até o último momento, que manipularam as eleições de 89 pró-Collor. Golpistas que não se conformam em perder democraticamente nas urnas para essa “gentinha” que governa o país há dez anos. E que avançou muito mais que os governos e partidos apoiados pela velha mídia, por sinal.

Mas a juventude, ah, a juventude! Taí a geração que o PT ajudou a criar, depois que se descolou dos movimentos sociais e aderiu às práticas continuístas dos outros partidos. Uma juventude despolitizada, desmemoriada, egoísta e consumista. Que vê nas ruas a chance de ser protagonista de alguma coisa, qualquer coisa, o brilho fugaz da mediocridade. A nova classe média quer tênis de grife. A velha classe média não suporta a companhia destes intrusos. E A velha elite é o que sempre foi: elitista, excludente, racista, fascista e machista (não que a base da pirâmide não seja, mas por ignorância. O topo da pirâmide é conscientemente). Não se trata do “uso público da razão”, como dizia Kant. Está mais para o velho King Crimson dos anos 70: Knowledge is a deadly friend/ if no one set the rules./ The fate of all mankind I see/ is in the hand of fools. (Conhecimento é um amigo mortal/ Se ninguém estabelecer regras./ O destino de toda a humanidade/ está nas mãos de idiotas.)

King Crimson

E o verso final, repetido várias vezes: But I fear tomorrow I’ll be crying…                                                                                                                                                                                                          

15 Responses to “Domingo, 23/06”


  1. 1 valmir 24/06/2013 às 10:47 am

    perfeito tem um poema do Marighela, Rondó da liberdade em ele escreve que é preciso ter a coragem de dizer, é fundamental mostrar a cara e não ficar se escondendo atrás de mascaras, vivemo plena liberdade e ninguém vai ser procurado por se expressar

  2. 2 Julio 24/06/2013 às 11:59 pm

    Ué. Segundo sua própria declaração, você não elogiou; apenas publicou uma nota que saiu em um blog. E só mesmo um ingênuo ou um mal intencionado para não perceber que a notícia era tendenciosa desde o título. E continuo achando que se o prefeito fosse de outro partido qualquer – apesar da atitude louvável – você não replicaria a notícia. Pior ainda achei baixa, muito baixa, a sua atitude de escrever uma coisa lá no facebook e vir aqui chamar de irracionalidade o fato de eu ter falado que achava a notícia e o fato de você publicá-la tendenciosas. Mas não se preocupe, já vi que você só quer falar aos que concordam com suas postagens e posições. Não é o meu caso. Por isso, não pretendo nunca mais comentar quaisquer uma delas.

  3. 3 Daniel Brazil 25/06/2013 às 12:34 am

    Errou no palpite, errou ao me chamar de tendencioso, e errou novamente em se expor aqui., Não citei teu nome, e nem fiz qualquer remissão no Facebook linkando com esse post, Julio. E estou falando com você, que não concorda com minhas postagens ou posições. Ou seja, errou também nessa, meu caro! Acredite, gosto de conversar e ouço opiniões divergentes com muita frequência, isso faz parte do meu dia a dia. Pode continuar discordando, a casa é tua, e será sempre bem vindo. Só não distorça fatos: achei a posição do tal prefeito elogiável e rara. Tem notícia de que outro tenha feito isso? Se tiver, mande, publicarei com prazer.

  4. 4 Thiago Mattos 25/06/2013 às 7:34 am

    Eu notei grande tendencia Petista no texto todo, e confesso que não consegui lê-lo por inteiro! Embora algumas partes sejam de grande evidência e fortemente com poder de manipulação, a verdade é que noto uma grande preocupação com que lado seremos manipulados , e me perdoe se alguém ha de ser alvo é o Lula e Dilma, e antes que cometa o grave erro de me chamar de neo-nazista saiba que não sou de direita ou esquerda, o que não me torna apartidário, pelo contrario avalio cada partida em cada momento que acredito que deixar ser justo diante das urnas.
    Por fim e para o fim, de quem é a manipulação para qual lado?Ou vai me dizer que seu texto não coloca em duvida bastante manifestantes??Manipulação por manipulação que cada se conforte com a sua!
    Ahhh e por favor nada de me julgar pela foto do perfil!!Serei grato por sua compreensão.

  5. 5 Daniel Brazil 25/06/2013 às 10:31 am

    Thiago, vou ser claro. Votei na Dilma em 2010, por ser claramente a melhor opção disponível. Tenho muitas críticas aos governo petista e mais ainda às suas alianças nojentas, e já coloquei isso diversas vezes em outros posts e comentários.
    É uma pena que que não tenha lido o texto por inteiro. O último parágrafo é uma crítica ao PT e aos governantes. Abandonar a leitura é legítimo, mas criticar tendo lido só metade é um erro primário…

    Testemunhei na rua algumas passeatas. Relato o que vi, e só um cego não veria que há grupos nazi, carecas, punks, etc, infiltrados no meio dos valorosos militantes do MPL (conheço alguns, e acompanho seus atos desde 2011, pelo menos).
    Veja: Você elege como alvo Lula e Dilma. Pois eu li o teu comentário até o fim, embora pudesse ter largado com teu próprio argumento: “Notei forte tendência anti-petista”. E daí? Num sistema político corrompido e ineficaz, com os campeões de corrupção envolvidos com a oposição (é só pesquisar), ser petista é pior ou melhor? Não escondo minha cara (e isso é crítica real, Thiago, a todos os mascarados).e nunca usei pseudônimos. Bravos são os que vão para a rua de cara limpa, e peito aberto. Estou com eles.
    Pense nisso: quem “não é de direita nem de esquerda” sempre vai ser usado por um dos lados. Que tal se definir?

    • 6 Thiago Mattos 25/06/2013 às 9:53 pm

      Daniel, concordo quanto ao erro primário, e descordo de tantas outras coisas, é muito difícil qualquer discussão partidária , que fique claro já que não fiz questão de deixar anteriormente faço-o agora, que fique claro meu respeito por qualquer opção quanto a tal quesito. Se hoje o Lula entrasse para o PMDB seria um traidor ou um ótimo candidato? Eu não descordo quanto a “se definir” politicamente, me cobro isso constante e acredite me vejo infelizmente com extrema facilidade por tal quesito de estar em constante manipulações. Eu dentro de todas minhas limitações já expostas e evidenciadas por você, procuro um estudo se um pré conceito sobre algo que a maioria dos brasileiros (me incluo na maioria) sofre de uma constante leigalidade, que todo partido viu com essa força que surgiu inesperadamente uma grande oportunidade para expor seus ideias uma vez que nunca esteve tanto em pauta politica em nosso país, não consigo entender a condenação manipulativa de uma outra parte. Eu não sou de direita, talvez eu seja realmente do centro, talvez isso seja um erro, eu ainda irei descobrir, só não entendo porque a manipulação “esquerdista” e essa existe também seja “menos pior” que a de direita, claramente cada um se deixa levar pelo que acredita, eu ando muito descrente para ser levado. O texto anterior deixei ocorrer o enorme descuido, e peço desculpas, por parecer que seria uma critica direta a um partido , o PT, fui infeliz realmente ao me expressar, acho que consegui ser melhor agora!

      • 7 Daniel Brazil 25/06/2013 às 10:16 pm

        Mandou bem, Thiago! Creia, muito do que eu escrevi é conjectura, e posso estar errado amanhã.
        Não inventaram ainda um sistema político democrático sem partidos, no mundo moderno. É a forma de organização possível, para legitimar um governo. Eu creio que os partidos são ruins porque os jovens não participam deles como deveriam, injetando energia, novos conceitos e métodos, e varrendo os velhos políticos.
        É o que os cientistas políticos chamam de “crise de representação”. As pessoas votam, mas não se sentem representadas pelos políticos. Curioso, né? Eu, macaco velho, me sinto bem representado pelo meu vereador, deputado estadual e federal. Acompanho suas posições e votações, cobro sempre que possível. E olha que são de 3 siglas diferentes!
        Quanto a questão direita X esquerda, são visões de mundo excludentes. Ser de esquerda, para mim, é ser a favor de políticas sociais, de diminuição da pobreza, de um estado regulador e indutor da economia, de ampla liberdade de comunicação, de reforma agrária, de taxação das grandes fortunas, de saúde e educação pública, gratuita e de qualidade.
        Ser de direita – também na minha opinião, lógico – é desejar um Estado mínimo, que não interfira no livre mercado (mesmo na saúde ou na educação), é aceitar os monopólios de comunicação, é ver os indivíduos como consumidores, não como cidadãos.
        Ou seja, partido é uma coisa menor dentro dessa visão, percebe?
        Abraço, e parabéns pelo post civilizado e consciente.

  6. 8 Fábio Brazil Brazil 25/06/2013 às 6:51 pm

    Daniel, sempre legal ler seus comentários – e seus comentadores!

    Conforme minha monumental lerdeza dita, tenho acompanhado com certo recato todas as manifestações. Estive na Paulista lá naquele perdido e esquecido primeiro dia. Sim, o do quebra, das balas de borracha, do gás e coisa e tal. Fui ao lançamento de uma antologia de poesia na Casa das Rosas – era impossível não ir e abri uma brecha no trabalho.

    Saí da casa das Rosas e atravessei por toda a Paulista pós-tumulto. Fiquei imaginando o que viria – errei em tudo! Não poderia imaginar que aquilo se desdobraria num “gigante despertado”. No meu data-Fábio, que consiste em conversar com atendentes de padarias, motoristas de táxi e qualquer popular disponível, um dado despontava fortemente: a Copa.

    Sim, os tais 28 bilhões para fazer a Copa e nenhum para fazer o que precisamos. Outro dado que despontava era o PT como alvo. Não os governos, o PT. Parecia que eu vivia em outro lugar. As questões estaduais – com o PSDB há 20 anos – não importavam; as municipais – com o PT apenas há 4 meses no poder depois de 8 anos – não importavam. Os discursos pareciam ter um único foco – absolutamente desfocado – no plano Federal. Mesmo que a questão naquele momento fosse quase que restritamente municipal.

    Dois sentimentos ficaram bem claros para mim, colhidos pelo data-Fábio:

    – acordamos no dia da festa – Copa – e percebemos a vergonha de casa que temos! Sim, nos vimos com os olhos dos outros, porque seremos vistos assim, e vimos o que realmente somos “uma exótica republiqueta sem qualquer cidadania, urbanidade, direitos civis, bem estar social e civilidade, que, aparte sua fortuna concentrada em poucas mãos, vive na miséria”. Não vi, naquele momento qualquer dimensão política palpável, vi o sentimento de vergonha que se transformava em raiva. Os passantes, os não engajados, os distraídos, apoiavam o movimento. Por ser movimento, por externar uma raiva fruto de uma vergonha. – Enquanto o mundo não via tudo bem sermos o que somos, mas e quando eles chegarem??

    – outro sentimento era a raiva – não só aquela, fruto da vergonha – mas a raiva de ter sido traído. Sim, os votos no PT nunca foram só de “petistas”, em sua grande maioria foi de gente comum, com politização primária e expectativas gigantes, desproporcionais às possibilidades reais do nosso sistema político. O PT não foi o que eu queria! O PT não presta! O PT só promete! Um sentimento interessante de odiar não o inimigo, mas aquele que não conseguiu vencer todas as batalhas contra o inimigo. Algo como uma torcida tentando derrubar o técnico do time – sem lembrar que ele não vende, não contrata, não faz gol ou toma frango.

    Cheguei ao final da Paulista com a certeza de que o PT estava num beco sem saída – lembrei de Mário de Sá Carneiro “não posso viver comigo, nem posso fugir de mim”. Como era uma noite para a poesia, achei poético o PT nascer na rua e morrer na rua. Esse sentimento só se reforçou com os desdobramentos daquele movimento. O PT acabou. Li seu post onde você dizia “deu pena do velho PT, envelhecido e envilecido”, o sentimento só redobrou.

    Estou com uma sensação de “fim de um ciclo”. Quem nos ensinou a ir para a rua? Quem construiu a dinâmica dos movimentos sociais? Quem nos ensinou a fazer política na luta? Quem nos fez acreditar que podíamos mudar as coisas? Quem promoveu nossa cidadania política? Quem esteve na linha de frente de todas as causas sociais? Quem nos ensinou que fazer política era um ato cotidiano? Enfim, aprendemos. O PT cumpriu seu papel histórico.

    Sobre o que virá, nada sei. O data-Fábio aponta para um governo de direita liberal da pior espécie. Vejo que há uma grande fome sobre esse” banquete de vontade popular” servido nas ruas e que só o PT não poderá comer – é o seu próprio cadáver que alimenta a maioria, dos movimento á frente do PT atual aos vermes da extrema direita. O tal gigante é também um cadáver gigante, vai atrair vermes, urubus, apodrecer e alimentar árvores e flores, tudo ao mesmo tempo.

    Temo pela manipulação clássica: assim como no primeiro dia eram “baderneiros” e já depois viraram os “salvadores da moralidade”, temo que voltem a ser “baderneiros” que somente uma “direita forte” pode conter. Temo pela simples despolitização, que tende sempre para a direita em momentos de mudança, temo por nosso eterno “Flá x Flu” e que agora voltemos para a direita. Enfim, vejo motivos para o técnico cair, mas temo pela contratação de um “linha dura” que nos fará jogar na retranca por mais algumas décadas.

    • 9 Daniel Brazil 25/06/2013 às 10:33 pm

      Teu comentário só enriquece meu pobre post, Fabio. Temo pelas manipulações também, eu que já vi tanta coisa ser manipulada pela mídia nesse país, e vi tantas cabecinhas acreditando piamente.
      Você milhões de brasileiros esclarecidos estão temerosos dessa “recaída para a direita”. Será péssima para a base da pirâmide, os que mais sofrem, os que acreditaram em mudanças. E para nós (me encaixo no degrau acima da base, muito longe do topo), uma tragédia repetida.
      Mas ainda acredito que não ocorrerá.

      • 10 Fábio Brazil Brazil 26/06/2013 às 3:26 pm

        Engraçado pensar que só não vai ocorrer – a guinada para a direita – se os movimentos sociais e as forças políticas resistirem, talvez unidas, mas isso só pode ocorrer se o PT estiver junto, aí… não dá para ser situação e oposição ao mesmo tempo. Não dá para o PT capitalizar a crítica sobre o PT.

        A despolitização e desinformação desse “gigante nas ruas” é um perigo. Quando a extrema direita e a extrema esquerda caminham juntas, possivelmente quem vai ser atropelado é a democracia. Liberais, Skins, fascistas, anarquistas, PSTU e PSOL caminhando juntos, o inimigo só pode ser um: a democracia!

  7. 11 Medina 26/06/2013 às 10:47 pm

    Daniel, já passei por este dilema que você aqui passa. Infelizmente não dá para dar uma aula de história para todo fascista que ainda não percebeu sua verdadeira tendência. O fato é que nem os fascistas eleitos vestem a camisa destes analfabetos, estes caras são energia pura descontrolada, perigosos. Perigosa mesmo é a tendência do governo federal, que eu sempre apoiei, de simplesmente, por ter maioria, se recusar a discutir com a sociedade as diretrizes do país. Veja o exemplo a respeito da contratação dos médicos estrangeiros, independente do argumento que se utilize, a questão é simplificada à ausência de profissionais de saúde, que verdadeiramente não faltam em número – isto com profundidade não se discute. A ideia é enfiar alguém de branco vestido que se submeta a ver seu semelhante falecer sem recursos, mínimos conforme o que se aprendeu na faculdade. Na prática, Daniel, é você sem ter qualificação de intensivista, de maneira sistemática, trabalhar como tal em um local sem dipirona, por exemplo, fechando o canal arterial de RN com uma “gambiarra” química porque a grana valeria a pena. Aí vem o governo, acreditando na ingenuidade da grande maioria, dizer que consegue alguém para fingir atendimento. A mesma postura unilateral que fora a marca dos milicos agora é tomada pelo governo sem nenhum constrangimento.
    Abç e cuidado aí com a polícia do Alckmin.

    • 12 Daniel Brazil 27/06/2013 às 12:13 am

      Bom ter um médico como interlocutor, Medina. Embora desvie do foco do post, creio que é um assunto pertinente. Eu, leigo, ouço que a classe médica é corporativista, não quer concorrência estrangeira. Mas, depois de estudar nos grandes centros, também não quer ir para Xiririca da Serra cuidar de índios, cafusos, caboclos, caiçaras, quilombolas e mamelucos (misturei intencionalmente as categorias, ok?).
      Não faltam em número? Talvez nas capitais, mas faltam muito nos sertões. Como resolver isso? Bolsa-medicina do governo? 14 salários, verba-paletó e auxílio-moradia, como um deputado ou senador? Sou a favor! (Pra médico, bem entendido. Contra, pra parlamentar).

  8. 13 Daniel Brazil 27/06/2013 às 12:25 am

    Fabio, se há uma coisa impossível nesse mundo é “Liberais, Skins, fascistas, anarquistas, PSTU e PSOL” caminhando juntos. A rua é pública, eles podem até estar lá, mas uns grunhindo contra os outros. O PSTU e o PSOL, até onde sei, não usam máscaras, nem rasgam bandeiras de oponentes. São partidos dentro do sistema, registrados legalmente, e com representantes em várias instâncias de governo.

  9. 14 Edu Maretti 12/07/2013 às 12:22 am

    Só hoje fui ler este post. Lúcido. A lucidez é simples e fundamental.
    Abraços

  10. 15 Daniel Brazil 12/07/2013 às 11:04 am

    Obrigado pelo comentário, Edu! Prometo escrever com mais frequencia..


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