Empresa não vota

É uma verdade universal: pessoa jurídica não vota em eleições. E por que? Porque não tem interesses cidadãos. A lógica de uma empresa – qualquer empresa – é o lucro. Em tese, o lucro é incompatível com interesses da cidadania, como serviços públicos de qualidade, segurança, educação, transporte, saúde, cuidados com o meio ambiente, etc. O Estado não é feito pra gerar lucro.

Mas no Brasil as empresas financiam campanhas eleitorais. Alguém acredita que é por “interesse cidadão”? A conta é cobrada depois que o cara é eleito. O parlamentar (ou executivo) vira devedor da empresa, e defende os interesses dela para quitar as dívidas de campanha. E quem paga, afinal de conta, é dinheiro público. O meu, o teu, o nosso.

Foi lindo ver milhares de pessoas nas ruas bradando contra a corrupção. Em tese, todos são contra. Mas na hora de agir concretamente, a maioria se cala. Por exemplo, se mobilizando contra o financiamento privado de campanhas, mãe de todas as corrupções. O cidadão que foi pras ruas, indignado, provavelmente vota num sujeito que foi financiado por grandes empresas. Ora, ora…

Aí quando alguém fala em “financiamento público de campanha”, pula do sofá, revoltado. “Com meu dinheiro, não!”. Será que não desconfia que o “seu dinheiro” será pago com licitações viciadas, obras superfaturadas e isenções de impostos mal explicadas?

Financiamento público, já, para começar a moralizar a eleições. E bem restrito! Uma merreca pra cada candidato, um minuto no rádio e TV e… te vira! Terá de se defender no gogó, no discurso, com propostas reais. Cada partido organizado recebe uma bela verba oficial, certo? Pois que invistam nas campanhas essa verba, nem um centavo a mais. Ou saiam atrás de contribuições individuais, limitadas a, sei lá, 500 reais. Um valor que deve ser discutido e aprovado por todos, até mesmo através de plebiscito.

Garanto que o Congresso Nacional vai mudar muito de perfil. E, aliás, é bom considerar igreja como empresa. Igreja tem CNPJ, não título de eleitor. Tirar dinheiro dos fiéis para financiar candidatos também deve ser considerado crime. Exploração da boa fé alheia, no mínimo!

Nani

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4 Responses to “Empresa não vota”


  1. 1 Jussara 14/07/2013 às 12:34 am

    Concordo com cada palavra, gritar contra corrupção e não querer fazer nada de concreto não dá mais. Todo mundo saindo na rua atrás de um Messias salvador, me encheu.
    beijos

  2. 2 José Artur Medina 14/07/2013 às 8:35 pm

    Concordo com tudo Daniel, mas como cobrar das igrejas? Elas fazem um “serviço”, questionável sob alguns aspectos éticos, mas o fazem. Achar que o fiel paga sem qualquer tipo de contra-partida também não é verdadeiro. Talvez a fé tenha uma base filogenética, dentro do inconsciente coletivo, que direito eu tenho de dizer para um evangélico que ele é manipulado e financia bandidos? Por que o meu ponto de vista é superior a uma realidade que trás tanto alívio ao fiel? Abraço!

    • 3 José Artur Medina 14/07/2013 às 9:49 pm

      Me confundi Daniel, viajei, achei que você queria cobrar impostos de igreja, que também é discutível, estou fora de controle, abç

  3. 4 Daniel Brazil 15/07/2013 às 11:17 pm

    É isso, Medina, impedir que empresas, igrejas, sindicatos, etc., financiem campanhas. Um homem (ou mulher), um voto. Pessoa jurídica? Zero voto. E proibição de financiar campanhas.


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