Arquivo para setembro \30\UTC 2013

A beleza das girafas

Paisagem com girafa

Como não se apaixonar por girafas? A silhueta incomum se destaca na paisagem, de longe. Girafas movem as duas patas laterais ao mesmo tempo, diferentes do resto dos quadrúpedes. Este é o segredo da sua elegância ao caminhar.

Girafa

Os grandes olhos nos fitam com doçura e resignação. Contemplam-nos de cima, não com desprezo, mas perdoando a nossa pequenez.

Safári a pé (volta)

Mansas, permitem nossa aproximação, mesmo sabendo que não trazemos nada de bom. Na secura da savana, mastigam os galhos mais espinhentos como quem cumpre uma sina.

Girafa na estrada

Sempre foram as preferidas pelos pintores surrealistas, que nunca ligaram para leões ou hipopótamos. Os antigos romanos já haviam se impressionado com sua estampa, nomeando-a girafa camelopardallis. Um hipotético cruzamento de camelo com leopardo.

Girafas

 São mesmo surpreendentes os romanos! Ou as girafas?

Uma noite com leoas

Um deserto gelado. Mas um deserto com árvores secas, arbustos retorcidos e palha cor-de-palha, que vira capim verde após as primeiras chuvas. A savana parece o cerrado brasileiro, porém mais radical.

Amanhecer no Kapama

Andar pela savana à noite é uma experiência inesquecível. Acompanhamos duas leoas tocaiando um rebanho de búfalos por mais de meia hora.

Leoa

Caçada noturna

Na noite seguinte, uma leoa cruza a estradinha de terra, iluminada pelos faróis. O guia resolve segui-la, e enfia o jipe no meio do mato. Quebra arbustos, ultrapassa valetas, e para no meio de um bando.

Leões

São 13 leões, leoas e filhotes, formando um semicírculo. Estamos no meio. Todos parecem sonolentos.  Parecem não se importar com as nossas lanternas. Bom sinal, estão de barriga cheia. Num veículo sem grades ou janelas, seríamos presas fáceis. Lembrei do filme A Sombra e a Escuridão. Lá dois leões caçavam humanos à noite. No Kapama (e no resto da África) são as leoas que caçam e alimentam o bando. Dá pra sentir um friozinho na espinha…

Leoa

Drama na savana

Impala na árvore

         No segundo dia, a menos de 80 metros da entrada do lodge, havia um cadáver pendurado numa árvore. Um leopardo guardou ali a carcaça de um impala, a salvo dos leões, hienas e chacais. A foto da Carmen é só para registro, pois eram 6 h da manhã, com um contraluz terrível. As que tentei fazer foram todas perdidas…

Leopardo

         Leopardo é o mais difícil dos Big Five, e ver uma cena como esta é ainda mais rara. A tragédia havia ocorrido a pouca distância de onde dormíamos. Tragédia? Segundo o guia, era uma mãe-leopardo, e o filhote devia estar por perto, escondido. Mães caçando para alimentar o filho tornam o drama menos trágico. Ou não?

Impala

Impalas são os mais abundantes herbívoros da savana. É traçado por todos os carnívoros, incluindo os humanos. Na mesma noite, num jantar em torno da fogueira e regado por um bom vinho nacional (da África do Sul, claro), provei uma típica torta de impala… Na noite fria, sob a bela lua africana, cantarolei baixinho a canção de Almir Sater e Renato Teixeira:  “Pois a natureza é isso, sem medo, nem dó nem drama.”

Impalas

Safári!

Aeroporto de Hoedspruit

Depois de 4 dias em Cape Town, com direito a esticadas noturnas na Long Street, chegou a hora de encarar os safáris. Voamos para Hoedspruit, um pequeno aeroporto que atende a região do Kruger National Park. Ficamos no Kapama Lodge, uma reserva privada superconfortável, com belas instalações, ótimo restaurante, piscina, massagem, etc. Mas quem quer saber disso? Vamos às feras!

Facócero

Kapama

Já na pista do aeroporto havia facóceros. Hã? Vamos traduzir por… pumbas! Na estradinha que liga o aeroporto ao Kapama avistamos zebras, antílopes, girafas, gnus, impalas e kudus. Um espanto para brasileiros, que cruzam quilômetros de cerrado (ou de caatinga ou de floresta) sem avistar um único animal de médio porte.

Gnu

A primeira surpresa é que faz muito frio na savana. Final de inverno, estava tudo muito seco, esturricado. É incrível a quantidade de grandes mamíferos que sobrevivem se alimentando apenas de… capim seco!

Red-billed Oxpecker

Os safáris são realizados entre 6 h e 9 h, ou entre 17 h e 20 h. São os horários de maior atividade dos animais. Nas horas mais quentes, todos procuram uma sombrinha… Uma sabedoria da Natureza que nós, humanos, insistimos em desobedecer.

Leoa

Kapama

O hotel acorda todos às 5 h (noite fechada!), serve um desjejum simples às 5:30 h, e partimos. Frio pra dedéu, menos de 10 graus. Além de encapotados, todos colocam cobertores sobre as pernas. Com o jipe em movimento, o vento trinca as orelhas. Repare na roupa dos guias, de luvas e touca! Na volta, um breakfast de verdade e o dia livre, até o próximo safári, às 5 da tarde.

Leopardo

A meta é encontrar os Big Five (leão, leopardo, elefante, rinoceronte e búfalo), os mais perigosos e difíceis de caçar. Girafas e zebras são tão comuns que  não entram na lista…

Mergulho com tubarões

O passeio estava ameno até o terceiro dia, mas quem vai à África quer emoções. Antes de partir para o norte em busca dos safáris, um aperitivo no lado Índico de Cape Town.False Bay

Uma hora de carro, passando por uma costa belíssima, e chegamos em Gansbaai, um balneário com casas em estilo californiano. Frio de 12 graus, com o vento fustigando as orelhas. Um grupo de 16 pessoas embarca na pequena lancha, já com os maiôs por baixo, dispostos a encarar o desafio.

Hermanus

Mergulho com tubarões

Ancoramos a uns 2 km da costa. Ali passa um canal frequentado pelo grande tubarão branco. A gaiola é estreita, e fica amarrada na lateral da embarcação. Entram 6 pessoas por vez, no máximo. Filipe vai na primeira turma, Carmen na segunda. Fico de fora, fotografando na beira do barco. Mar agitado, três pessoas passam mal e vomitam, antes mesmo de entrar na água.

Mergulho com tubarões

Os marinheiros jogam restos de pescado, vísceras e sangue na água. Dezenas de gaivotas voam em torno, disputando a refeição com os tubarões. Uma cabeça de atum com mais de 3 kg é amarrada  numa corda e atirada ao mar, com uma boia. É a isca. Uma pescaria sem anzol, lógico.

Isca

Quando o tubarão ataca, o marinheiro puxa rapidamente a isca para perto da jaula. Dá pra sentir o bafo do bruto! Como todos estão de máscaras, podem optar por ver o espetáculo acima ou abaixo da superfície. Alguns tubarões se chocam contra as grades, balançando tudo.

Mergulho com tubarões

Mergulho com tubarões

Mergulho com tubarões

Brincadeira besta, né? Mas é emocionante, garanto. Quem foi não se arrependeu. Eu, confesso, fiquei de fora. Na volta, um marinheiro me falou que corri mais risco que eles. Pendurado na beira do barco, cair seria fatal. Na gaiola, pelo menos estão protegidos.

Mergulho com tubarões

Mergulho com tubarões

A água estava com menos de 10 graus, mas o pessoal só sente frio depois que sai. Dentro, a roupa de neoprene e a adrenalina aquecem o suficiente. Quem fez xixi na calça também esquentou um pouquinho… O mergulho dura cerca de 20 minutos, mais que isso pode causar hipotermia. Estes tinham 3 metros, no máximo. Dizem que os maiores chegam a 5 metros. Dá pra encarar?

False Bay

Baleia

Na volta, passando por False Bay, encontramos uma baleia descansando, bem junto à costa. Virava de costas e ficava por vários minutos. Fazem isso para não serem atacadas pelos tubarões, que reconhecem sua barriga branca. Aliás False Bay é o único lugar do mundo onde os tubarões saltam fora dágua para pegar focas. Isso não vimos…

Mandrião antártico

Na volta, este mandrião-antártico acompanhou a lancha com enorme facilidade, dando voltas em torno dela. Ave incrível, capaz de voar centenas de quilômetros sem pousar. Às vezes é avistado no Sul do Brasil.

A África que faz vinho

A Cidade do Cabo foi fundada em 1652, com a função ser um ponto estratégico de abastecimento para os navegadores que iam da Europa para “as Índias”. Algum esperto pensou: “vou produzir vinho para a marujada!”. Acabou criando uma das mais prósperas indústrias do país. Repare: a região fica na mesma latitude das regiões vinícolas da Argentina, Chile e Austrália. Zona temperada, fria no inverno, quente no verão.

Stellenbosch

Stellenbosch, na Província do Cabo Ocidental, é o coração da indústria vinícola. E também do gado, leite, frutas (maçãs, peras), mel, queijos… Uma cidade europeia dentro da África, com uma universidade fundada em 1866, que recebe estudantes de todo o mundo.

Stellenbosch

Stellenbosch

Stellenbosch

Fizemos uma degustação na vinícola Anura, (fotos abaixo). Não sou um especialista (prefiro cerveja, confesso), mas certo Merlot 2009, combinado com ótimos queijos e geleias, vai permanecer na memória.

Vinícola em Stellenbosch

Barris

Vinícola Anura

Cabo da Boa Esperança

Pronto, já vou alterar o roteiro previsto… Não dá pra falar de Cape Town sem explicar porque ela é “do Cabo”. Ali fica o famoso Cabo das Tormentas, descoberto por Bartolomeu Dias em 1488, e depois rebatizado como “da Boa Esperança” por ordem d’El Rei D. João II. Gelado, fustigado por ventos polares, é um paredão de pedra que avança em direção ao mar, separando o Atlântico do Índico. A primeira praia da costa atlântica (abaixo) chama-se Dias, e é frequentada somente por pinguins e focas.

Cabo da Boa Esperança

Nos 50 km que separam a Cidade do Cabo do cabo propriamente dito, pegamos umas quatro chuvas. No marco histórico, todo mundo encapotado, enfrentando o vento-navalha. Parece que Bartolomeu Dias estava certo no batismo… Vasco da Gama, que dobrou o cabo, empresta o nome à Marina da Gama, na Cidade do Cabo. Centenas de gaivotas e cormorões-do-cabo fazem ninhos nas escarpas rochosas.

Cabo da Boa Esperança

O cabo possui um farol, que foi construído no lugar errado e provocou alguns  acidentes. Não, não foi construído pelos portugueses, foram ingleses mesmo. Hoje é um local turístico, e vem gente de todo o mundo ver o ponto mais meridional da África.

Cabo da Boa Esperança

Só que não é mais… Aliás, nunca foi. A menos de dez km há o Cabo Agulhas, que é o verdadeiro ponto extremo do continente. Mas falta a este o charme, a história, as lendas e o encanto do velho Cabo da Boa Esperança. Portanto, fiquemos com a lenda. Chega-se ao topo a pé ou de bondinho (um plano-inclinado, como o elevador Gonçalves, de Salvador).

Cabo da Boa Esperança

Há no Cabo um ótimo restaurante chamado Two Oceans (óbvio), especializado em frutos do mar, onde comprovei que a África do Sul faz uma ótima cerveja. Peça a Castle Draught, uma lager deliciosa! Os camarões são enormes (três tamanhos: Prince, Queen e King. Há um Tiger, do tamanho de uma lagosta, mas não provei). Muitos peixes, lulas (calamari) e mariscos. E hamburguer de avestruz, pra quem quer provar coisas diferentes.

Cabo da Boa Esperança

Abaixo, um típico habitante do cabo, que encontramos no percurso de volta, na costa índica. Ao contrário do que mostram os filmes e documentários televisivos, fazem ninhos na terra mesmo, entre os arbustos.  Maldita mídia, sempre enganando a gente!

Praia dos Pinguins