Um mergulho em Devil’s Pool

Daniel na Devil's Pool

Postei esta foto recentemente no Facebook e causei algum tumulto entre os amigos. “É trucagem!”, “É photoshop.” “Ficou maluco!”, etc.

Bem, vamos à história. Tudo começa quando um missionário e explorador escocês, David Livingstone, descendo o rio Zambeze, se tornou o primeiro europeu a contemplar o imponente conjunto de cataratas, em 1855. Deu-lhes o nome de Victoria Falls, em homenagem à rainha do Reino Unido.

Victoria Falls

Vamos ser menos eurocêntricos? Os povos da região já conheciam e admiravam há muito tempo a tonitruante queda dágua, e batizaram-na com um nome muito mais apropriado: Mosi-ao-Tunya, que significa “fumaça que troveja”. Rivaliza com Iguaçu, em altura, extensão e volume de água, embora isso varie de acordo com a época do ano. Fomos lá na época da seca (que corresponde ao nosso inverno), não deu para comparar. Mas fica num desfiladeiro espetacular, e depois da queda há corredeiras excelentes para praticar rafting.

Victoria Falls faz fronteira com a Zâmbia e o Zimbábue. Parece que as grandes cachoeiras tem a mania de dividir países… Ou unir, no caso. É a principal fonte de renda da região, que explora o turismo de forma profissional, com hotéis luxuosos, lodges e passeios de barco e helicóptero.

Victoria Falls

Viajar para ver uma cachoeira com pouca água não é uma roubada? Depende do ponto de vista. Só no inverno é possível fazer um dos programas mais excitantes do planeta: mergulhar na Devil’s Pool, um tanque natural na beirada do abismo, descoberto por pescadores nativos.

Devils Pool 1

Da entrada do parque até lá é quase uma hora de caminhada. Devagar, sobre pedras, atravessando pequenas ilhas e até mesmo nadando em certos trechos. Saímos às 6 h, pra começar bem o dia e abrir o apetite. Fomos num grupo de 6 pessoas, 40 dólares por cabeça, o que inclui o guia, o fotógrafo, toalhas, água e refrigerantes.

Fotógrafo?! Um jovem alemão que estava conosco ficou indignado. “Eu tenho a minha máquina, não preciso pagar ninguém!”, bradava, segurando sua Canon. O guia rastafari tentou explicar, o clima chegou a ficar tenso. Mas ao chegarmos lá, vimos que o rasta tinha razão.

Devils Pool 2

No último trecho de caminhada chegamos à ilha Livingstone. Ali tiramos a roupa e entregamos os equipamentos a um zulu, apresentado como “profissional”. Um cara magro, de bermudas e descalço, que pendurou três máquinas no pescoço e saiu pulando de pedra em pedra pela cachoeira, para angústia de todos. Pra dar mais adrenalina, alguém lembrou que o  Zambeze também é famoso pelos crocodilos e hipopótamos que passeiam em suas águas.

Devils Pool  4

Vendo as fotos depois, temos de admitir que seria impossível fazer o que ele fez. Além de registrar o último trecho da travessia, a nado, se posicionou de pé a milímetros da borda na cachoeira, fazendo imagens incríveis. Todas ficaram boas, com foco perfeito e enquadramento caprichado, com direito a arco-íris. Até o alemão pediu desculpas e cumprimentou o fotógrafo, quando viu o resultado.

Devils Pool 7

Devils Pool  5

Na volta, antes das 9 h, todos com uma fome de leão, prontos para o último breakfast. Uma hora depois estávamos indo para o aeroporto de Livingstone, rumo ao Brasil, com conexão em Joanesburgo. Antes de partir ainda tomei, pela última vez, a ótima cerveja zambiana, uma lager encorpada que tem a cachoeira no rótulo e se chama, claro, Mosi.

Arco-íris

Agora, pode escolher a melhor época do ano para sua viagem: Você quer ver muita água ou mergulhar na Piscina do Diabo? Em Iguaçu não dá pra fazer isso, infelizmente… Volte a olhar a segunda foto, feita do Zimbabue dois dias antes, e localize a Devil’s Pool , lá na Zâmbia. Aliás, o arco-íris é residente, está sempre lá. Dizem os nativos que Mosi-ao-Tunya é um dos únicos lugares do mundo onde se vê arco-íris noturno, quando tem lua cheia. Vai encarar?

PS 1: Quase esqueci de um detalhe. Na Devil’s Pool há peixes famintos, que ficam beliscando tuas pernas o tempo todo. Disse o guia que eram apenas tilápias, mas não consegui vê-las…

PS 2: A última foto, com um toque de Cartier-Bresson, é da Carmen.

21 Responses to “Um mergulho em Devil’s Pool”


  1. 1 Kike Garcia 17/10/2013 às 1:37 pm

    Caramba Tio, Fantástico isso ai!!

  2. 3 Aline Sasahara 17/10/2013 às 2:12 pm

    uau!!! eu quero, papai noel!

  3. 5 Rubia Zaia 17/10/2013 às 6:00 pm

    Nossa que coisa linda! Eu quero ir…delícia de lugar.

  4. 7 Marco 17/10/2013 às 7:00 pm

    Genial, Daniel, realmente vale a aventura…

  5. 9 yvonne pasta 17/10/2013 às 8:19 pm

    que viagem maravilhosa ! felizardos!

  6. 11 Paulo Carvalho 17/10/2013 às 8:24 pm

    parabéns pela experiência, pelas fotos belíssimas e pelo compartilhamento aqui. Tinha visto a foto “montagem” e estava intrigadíssimo! obrigado. abs. Paulo

  7. 13 Gabriela Pimentel 18/10/2013 às 12:38 am

    Dani, quero ver as outras fotos. A Camis disse que sao sensacionais!!

  8. 15 oraiêie 18/10/2013 às 7:37 pm

    Que delícia Daniel e Carmem. Esta é uma das viagens que quero muito fazer. Parabéns!

  9. 16 Elaine ribeiro Gozzani 20/10/2013 às 3:12 pm

    Em Iguaçu não existem piscinas como essa, mas eu já fui de barco até uma dessas partes sem água (como se vê ao fundo da 1ª foto) na Garganta do Diabo, onde deitávamos na pedra para ver a água despencando.

  10. 18 Ricardo Ogusku 22/10/2013 às 6:29 pm

    Boa, Daniel! Você fez um verdadeiro livro, dividido em capítulos! Manda pro prelo!!
    Lindas fotos!! Acompanhei-as como se fosse uma novela!! Não bastasse as fotos, excelente informações complementares em texto enxuto e objetivo!!
    Um verdadeiro roteiro de viagem!!

    • 19 Daniel Brazil 24/10/2013 às 9:16 pm

      Grande Ogusku, obrigado pela visita ao blog! Livro não pretendo escrever, mas um fotolivro já está pronto. Vamos marcar uma cerveja e eu mostro!

  11. 20 Alexandre 09/04/2014 às 7:15 pm

    Daniel,
    Em qual mês você foi? Julho?
    Abs e parabéns pelas fotos!
    Alexandre


  1. 1 Navegando no Zambeze | FÓSFORO Trackback em 25/10/2013 às 7:08 pm

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