Os poliglotas africanos

Aeroporto de Johannesburg

      Contei no post anterior que na África do Sul quase todos falam, no mínimo, três línguas. O que dizer então da Zâmbia, onde há mais de 70 línguas tribais?

       O motorista da van que nos levou até a fronteira do Zimbábue revelou que falava, fluentemente, 25 idiomas. E que entendia outros tantos. Argumentei que deviam ser parecidos. Respondeu com firmeza:

– Totalmente diferentes!

         No Brasil, um sujeito que fale 25 línguas tem emprego no Itamaraty, no mínimo. Lá é motorista…

         O guia Aaron, nascido no Zimbábue, disse que é comum haver diálogos multilinguísticos no mercado, no trânsito, na calçada. Fulano pergunta em uma língua, Sicrano responde em outra. Cada um entende o que o outro quis dizer, embora só fale a sua língua nativa. Um fenômeno de comunicação!

Livingstone, Zimbabwe

         Mais estranho que isso (para nós), só mesmo o troco. O Zimbábue é tão pobre que não tem moeda própria. As últimas cédulas que circularam eram da ordem de “milhões”. São vendidas como souvenir. Desistiram em 2009, quando a inflação bateu em 9.000.000 % ao ano, ou 98% ao dia. A última nota emitida foi essa:

Trillion dollars

Desde 2009, adotaram o dólar americano. Os salários são pagos em dólar. Circula pelo país as moedas dos países vizinhos, de economia mais forte.

         Em Victoria Falls, sob um calor obviamente africano, resolvemos comprar uma garrafa de água mineral de um camelô. Custava dois dólares. Carmen deu uma nota de dez. O sujeito enfiou a mão no bolso e puxou notas de várias cores e tamanhos. Separou uma nota de 5 dólares, duas de 20 rands (África do Sul) e umas moedas de kwatcha (Zâmbia). E agora?

         Impossível saber se o troco estava correto. É preciso ter uma calculadora financeira e uma conexão com o câmbio do dia. Como disse o Aaron, os espertos se dão bem, e os otários dançam. Respondi a ele que no Brasil, onde tem uma só moeda, também é assim…

Mercado Zâmbia

2 Responses to “Os poliglotas africanos”


  1. 1 José Artur Medina 10/11/2013 às 1:54 pm

    Daniel, dá para escrever um livro com o histórico das viagens; não dá para colocar um romance no cenário?Quando vc volta?
    Abç e boas férias!


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