Falando de música clássica

Dando uma repassada nos posts anteriores, percebi que faz tempo que não falo de música por aqui. Embora a recente viagem pela África tenha despertado tambores ancestrais em minha alma, outras sonoridades têm alimentado minha vida nos últimos anos.

A tal da música clássica. Que não é só clássica, mas renascentista, barroca, romântica, moderna e contemporânea. Chamamos de clássico o período que vai de Haydn a Beethoven, o período que surge na segunda metade do século XVIII e vai até o meio do século XIX. E que tem Mozart como o Messi da época.

Mozart escreveu muito, apesar da vida curta e atribulada. O início de menino-prodígio é apenas uma curiosidade, não vai ficar para a história da música. Mas o conjunto da obra é coisa de gigante, de alguém da gangue do lobo que amava um deus (Wolfgang Amadeus).

A audição de suas 41 sinfonias é uma aventura particular na história da música. Começa a brilhar a partir dos dois dígitos, ganha estatura de gênio a partir de vinte-e-poucos. Mozart escreveu também concertos para vários instrumentos, como flauta, piano e violino. Mas o solitário Concerto para Clarineta em Lá menor, K622, é um assombro. Como um sujeito escreve algo tão cintilante para um instrumento e não tenta um bis? Talvez por ter noção de que alcançou a perfeição. Talvez por ter morrido cedo. Não importa. Experimente sem preconceitos essa versão com o jovem e brilhante clarinetista Julian Bliss.

Mas o concerto para clarineta de Mozart não é o único caso de concerto que é pedido no singular, sem números. Alguns anos depois, Beethoven também escreveu uma única peça para um instrumento, o semi-romântico Concerto para Violino em Ré Maior, Op. 61. É outro assombro. Maravilha de equilíbrio, invenção e harmonia, conjugado a melodias belíssimas, daquelas que ancoram em nossa memória para sempre. Ouço essa obra prima há algumas décadas, e não enjoo. Confira a versão com Ann-Sophie Mutter e a irrepreensível Filarmônica de Berlim, regida por Seiji Osawa. E se você achava que Ann-Sophie era somente uma queridinha do velho Von Karajan, preste atenção na cadência (improviso) aos 48’36”. Desconfio que mulheres conversam melhor com o instrumento ao coloca-lo sobre o ombro nu. Homem tem sempre a mediação de, no mínimo, dois tipos de pano: uma camisa e uma casaca. Quando não veste uma camiseta por baixo, para não suar… Sou a favor de que todos, homens e mulheres, devessem tocar nus. Ou só de calças!

Para corroborar minha tese, vamos ao maravilhoso Concerto para Violino de Mendelssohn, com a não menos maravilhosa Hilary Hahn, também de ombros nus, acompanhada pela Sinfônica da Rádio de Frankfurt. Gravação recente, de 2012, realizada na Coreia do Sul. Pretendo ouvir essa moça até o final dos meus dias!

3 Responses to “Falando de música clássica”


  1. 1 Daniel Brazil 11/11/2013 às 11:32 pm

    Pelas barbas de Brahms! Limaram o link da Ann-Sophie.. Fiquemos com outra violinista de ombros nus, Arabella Steinbacher.

  2. 2 José Artur Medina 19/11/2013 às 3:32 pm

    Deveria haver um teste psicológico: escuta-se um clássico, na ausência de qualquer sentimento pede-se uma TC de crânio em busca de alguma anomalia..


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