Praia do Sono, sem TV

Pastel flutuante

Fiz uma pequena viagem recentemente, que me proporcionou uma experiência interessante. Saí de São Paulo, passei dois dias em Ilhabela, quatro em Paraty e dois no Rio de Janeiro.  De carro, sem pressa, curtindo a paisagem do litoral e as boas conversas pelo caminho.

cinema na praia

Em Paraty ocorreu até uma aventura inesperada: pernoitar na Praia do Sono, após uma sessão de cinema na areia (aliás, o belo documentário sobre o Arnaldo Baptista, com uma plateia que misturava caiçaras e surfistas). O tempo virou, os barcos não saíam à noite, e no dia seguinte enfrentar as ondas de voadeira foi mais emocionante que muito brinquedo de parque de diversões.

CINEMANAPRAIA

Mas o que ficou da viagem (além de conhecer meu primeiro neto, João, no Rio) foi a gostosa sensação de ficar 8 dias sem televisão, sem celular e longe do computador. Admito até que vi uns e-mails em Paraty, mas foi coisa de alguns minutos.

Mal acompanhei as notícias das prisões de Genoíno e Zé Dirceu, assim como o escarcéu montado pela mídia em torno do STF. É incrível como o Brasil é melhor, mais generoso, mais bonito e acolhedor sem a televisão. A manipulação de informação, a descarada distorção de fatos, a ocultação ou minimização dos crimes dos “amigos” (tremsalão paulista), a imoral exploração da vergonha alheia, o auto-bajulamento incontido da rede Globo, tudo isso soa como uma excrescência social, uma degeneração de algo que deveria servir a todos: o direito à informação.

Sob uma legislação retrógrada, que data do início dos anos 60, os coronéis da informação estão em campanha declarada contra um partido, o PT. Que não é santo, óbvio, cometeu desvios e escorregões éticos, bem menos que os seus ferozes opositores. Cadê a sanha justiceira da (in)Veja, jornalões e redesglobos contra os muito mais vultosos desvios de Serra, Alckmin, Aécio et caterva? Taí o livro Privataria Tucana, cheio de documentos incontestáveis. Aliás, há inúmeras provas de que a redeglobo sonega impostos, suborna funcionários públicos e corrompe autoridades. Apoiou a ditadura e sabotou enquanto pode a volta da democracia. Porque acreditar nela?

E que figura lamentável se tornou o juiz Joaquim Barbosa! Em breve, depois de ter feito o serviço sujo, será descartado pelas mesmas elites que nunca o aceitarão entre seus pares. Terá tempo de se arrepender? Desejo a ele vida longa, muito longa, para que se envergonhe dos atos que fez, do mal que causou ao país alimentando o reacionarismo mais hipócrita.

Enfim, ficar sem TV por 8 dias foi um alívio. Não que ligue o aparelho em casa, longe disso. Um filme de vez em quando, e olhe lá. Mas conviver com gente de carne e osso, comunidades de pescadores, agitadores culturais, militantes ambientalistas e amantes da natureza foi muito mais agradável e produtivo. Fez bem pro corpo e pra alma. Tem um Brasil muito melhor por aí, que não está na televisão.

Paraty

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