A eterna Joan Baez

Boa parte do povo que me conhece sabe de minha militância em favor da música popular brasileira. Escrevo semanalmente na Revista Música Brasileira há dez anos, além de ter me envolvido em produções, apresentações, gravações e edições relacionadas à nossa melhor música. Dirigi clipes, arranhei alguns instrumentos, participei de rodas de choro, me diverti muito nos botecos da vida.

Um grupo menor sabe de minha admiração pela música de concerto, a música dita “erudita”. Não gosto desse adjetivo elitista. Os mestres medievais, os gênios da Renascença, os criadores do cânon ocidental na História da Arte eram artesãos, surgidos do povo mais simples. Bach, Mozart e Beethoven não eram eruditos, em sua época. A divina música que produziram foi apropriada pela classe dominante e rebatizada. Ouço diariamente, acreditem, música de concerto. No carro, em casa, no trabalho. Aliás, não consigo trabalhar ouvindo canções com letra. As palavras me atrapalham, confundem o que tento escrever. Só produzo com música instrumental, de todas as épocas.

Bem poucos irão se lembrar de que fui um jovem roqueiro, que amava os Beatles e os Rolling Stones. Era muito jovem para ser da geração Woodstock, mas aquela música expressava muito de minha inquietude. Entre Led Zeppelin e Bob Dylan, fiquei com ambos. A expressão folk significava algo mais que um gênero de canção norte-americana. Podia ser Violeta Parra, Dorival Caymmi, Jethro Tull ou Yusuf Islam.

Joan Baez

E neste primeiro domingo de outono  de 2014 reencontrei um dos  mitos desta época. A extraordinária Joan Baez. Uma jovem de 73 anos, elegante, simpática e bem humorada. Além de vários clássicos de seu repertório, cantou Cálice (Gil e Chico), chamou Vandré ao palco (“vou convidar um mito”) e cantou Pra Não Dizer Que Não Falei de Flores (momento meio esquisito, o cara ficou imóvel e calado o tempo todo, apesar dos aplausos calorosos) e, óbvio, cantou Blowin’in the wind com o Suplicy.

Mas ouvir Farewell, Angelina, It’s All Over Now, Baby Blue  e Gracias a La Vida com aquela voz sublime valeu a noite. Ô, se valeu!

2 Responses to “A eterna Joan Baez”


  1. 1 Valmir 25/03/2014 às 11:50 am

    a moça parece que continua em forma e dever ter sido um assombro a figura do Vandré


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