Cenas urbanas

Confesso: ultimamente tenho postado mais coisas no Facebook que aqui no Fósforo. Mais urgência, menos paciência, necessidade de dar respostas rápidas às demandas. Atitude que, a médio prazo, tende a ser perniciosa. Que tal pensar mais, refletir, postar coisas das quais não vamos nos arrepender daqui a cinquenta anos? (estou sendo otimista, claro. Não espero passar dos 100, deve ser meio chato).

Semana passada postei uma série de cinco fotos que chamei de “paisagens urbanas”. Pássaros perdidos no meio do concreto, adaptando-se à poluição. Por algum motivo obscuro, imagino que aqui nesse cantinho vulnerável e perecível chamado “blog”, terão vida mais longa. Será?

Bem-te-vi

Canario na selva

Saracura

Biguás

Gavião-caboclo

Bem-te-vi, canário-da-terra, saracura-do-mato, biguás e gavião-caboclo.

5 Responses to “Cenas urbanas”


  1. 1 Jádson Barros Neves 20/05/2014 às 11:35 am

    Daniel, ótimas fotografias. Em meio à aridez do concreto, a vida; a vida de forma inocente e pura. Quanto a você chegar ou não aos 100 anos, se seguir a lógica oriental do bom humor que tem pautado suas publicações, chegará, sim. Não deve ser tão chato viver 100 anos. Veja o caso de nosso querido poeta Manoel de Barros. Em minha cidade, conheço um senhor de 94 anos que vende rapaduras e doce de buriti num carrinho de mão. Como muito pouco coisas doces, mas sempre que o encontro compro uma rapadura e um tijolo de doce de buriti. Pergunto para ele por que não fica em casa e o velhinho me responde, sempre muito calmo, muito educado: “Vivo na casa de minha filha, ela trabalha, eu preciso ajudá-la.” Dias atrás, encontrei-o, a tarde estava quente, estávamos na frente de uma churrascaria. Vi que ele ainda tinha 08 tijolos de rapadura e de doce de buriti, que não estava conseguindo vendê-los e vi um pouco de ansiedade nos olhos inocentes dele. Fui ao banheiro, telefonei para um amigo e uma amiga que tem duas crianças maravilhosas, contei o caso dele e pedi que trouxesse (ela) as crianças e comprassem tudo o que ele tinha no carrinho de mão. Apareceram em seguida; minha amiga com as crianças, que conversaram com o velhinho e compraram tudo, conversaram com ele e depois se foram.
    Eu já havia feito isso em outras vezes e pensava que ele não se lembrava. Quando meu amigo e minha amiga com as crianças se foram, ele me disse:
    “Você me dá sorte, meu amigo. Dinheirinho bom esse. Vamos tomar uma cervejinha?”
    Ele pagou uma, eu paguei a outra. Conversamos muito. Um velhinho calmo, cuja filha é técnica em enfermagem e briga para que ele não saia de casa. Pelo que conversamos, notei que a presença da casa lhe trazia muito a dor da esposa falecida oito anos atrás. O engraçado é que ele toma todos os cuidados ao sair na soalheira: chapéu, camisa de manga longa, uma térmica com água. Guaraí, como muitas cidades do Tocantins, não tem o mínimo respeito para com o idoso. O idoso é muito vulnerável lá e não tem opção de lazer. Nenhuma praça, nada voltado para o idoso, mas nada mesmo. É uma tristeza. Abraço!

  2. 3 Valmir 20/05/2014 às 11:37 am

    o blog possui vida mais longa, pelo menos é certo que algum escafandrista vai encontrar as suas fotografias, textos e isso vai repercutir por outras eras, o registro de uma natureza que a cidade simplesmente não percebe, vivemos numa cidade sem memória e ás vezes até mesmo sem sensibilidade.

    • 4 Daniel Brazil 22/05/2014 às 9:15 pm

      A cidade, o campo, a nossa época, Valmir. Ou todas as épocas? Imagino que um bardo do Rio Pequeno, perdido no interior da Espanha no século XIV, diria a mesma coisa. “Tudo que vejo de belo se perderá, por mais que eu registre. Para que continuar?”
      E, no entanto, seguimos em frente. Seguidores da utopia, discípulos da Pequena História, aquela que não está nos grandes livros, mas nos relatos orais, nos bilhetes, nos posts…

  3. 5 dalila teles veras 10/07/2014 às 10:24 pm

    Eu, pecadora, também confesso: acabei me rendendo ao imediatismo do fb e me afastei do blog (não que o tenha abandonado) e, por conseguinte, um pouco também dos blogs alheios, perdida no mar de informações, na maioria das vezes, desnecessárias. Passar por aqui, é como receber uma lufada de ar fresco no espírito. Abraços da leitora e admiradora


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s





%d blogueiros gostam disto: