A angústia dos homens

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                    André Giusti é jornalista e escritor experiente, com vários títulos publicados. Seu mais recente livro, A Maturidade Angustiada (Penalux, 2017), reúne onze contos que abordam, sob diversos ângulos, variadas formas da angústia. Seu estilo despojado, limpo, torna a leitura agradável e fluente, mas não superficial. E nem poderia, com um tema tão caro aos investigadores da alma humana.

                       Mas de que angústias fala Giusti? A angústia da solidão, o medo de ser traído, o cotidiano medíocre, os amores incompletos, a proximidade da miséria, da indiferença, da morte. A solidão talvez seja a mais recorrente, porém são especialmente marcantes os contos onde personagens femininas estão envolvidas. Descritas de um ponto de vista masculino, as mulheres provocam angústia por não se enquadrarem em estereótipos de comportamento, pela independência de atitudes e por confrontarem alguns dogmas machistas.

            Não é fácil escrever sobre o relacionamento homem-mulher sem cair em chavões. O autor consegue ser original, retratando de forma impiedosa a pequenez de certa mentalidade tipicamente masculina, possessiva e desconfiada. Contos como Lorena e o temporal ou Lins Imperial exalam erotismo, mas demonstram que para estes homens também o sexo pode ser angustiante.

            Os contos que abordam o fracasso e a solidão são mais melancólicos, até pungentes. Os personagens não são velhos no final da vida, mas homens de meia idade que lentamente vão tomando consciência de que o outono se aproxima, sem que nenhum verão dourado tenha iluminado suas existências. Há até um protagonista de dezesseis anos, devorado por um ciúme devastador. Como uma espécie de salvaguarda, Giusti faz questão de alertar no início do livro que “este livro é angustiado, mas contém momentos de esperança”.

            Os dois últimos contos até ensaiam alternativas emocionais positivas para a angústia, mas o que sobra de esperança fica por conta da boa literatura que o autor nos oferece. André Giusti prescreve sobre vidas comuns e personagens anônimos, sem tramas mirabolantes ou cenários exóticos, com precisão e originalidade. Não é pouco.

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