Leituras de 2017

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2017 foi um ano atípico. Afinal, todos são. Existe ano típico? Dei um tempo na literatura, confesso. Perdi dezenas de horas escrevendo bobagens nas redes sociais, respondendo a provocações, abraçando virtualmente velhos amigos e editando fotos de passarinho. Plantei algumas árvores, mas isso é outro assunto.

Li, porque ler é um vício que não quero perder. Alguns ensaios, reportagens, biografias. do Barão de Itararé a Lima Barreto, passando por Neruda, Marighella e Honestino Guimarães.

Noto agora que deveria ter lidos mais coisas relacionadas à música popular, já que escrevo sobre o tema. Vou tirar o atraso em 2018, começando pelo livro de Luciana Sales Worms e Wella Borges Costa, Ao Pé da Letra da Canção Popular, que está na minha cabeceira.

E ficção? Bom, li alguns romances marcantes, outros nem tanto. O Nobel de literatura Pamuk me impressionou, com sua saga turca passada no século XV.  Dois espanhóis, Javier Cercas e Javier María, me ensinaram algumas coisas sobre escrever uma boa história. O português Miguel Souza Tavares foi outra revelação.

Dos brasileiros, o mais marcante foi Edmar Monteiro Filho, com seus contos inspirados em Escher. Proposta ambiciosa, plenamente realizada.  Encontrei um irmão literário em Sérgio Mudado, me deliciei com Marcos Kirst, apreciei a contemporaneidade de Michel Laub, curti a viagem temporal de José Luiz Passos.

Quem não saiu de minha cabeceira foram alguns livros de poesia, embora todos saibam que sou leitor bissexto do gênero. Os setenta poemas de Dalila Teles Veras, coletânea produzida para comemorar seus setenta anos, são preciosos, para dizer o mínimo. Tive a satisfação de indicar um dos poemas do livro, e fico feliz de ser um dos 70 vezes 7 leitores dessa grande figura.

O camarada Airton Paschoa me antecipou algumas provocações do seu Levante, e o Caderno de Intermitências de Rosana Chrispim abriu meus olhos para coisas que eu não via.

Meu amigo Chico Lopes traduziu o livro mais apavorante que li em 2017: O Grande Deus Pã, de Arthur Machen, referência obrigatória para quem gosta de literatura de terror.  Com muitos anos de atraso, finalmente me encantei com um grande livro do americano Cormac McCarthy, e entendi porque é apreciado por tanta gente, como meu amigo-escritor Jadson Barros Neves, que me enviou o volume lá de Tocantins.

Obviamente nem tudo que eu li está representado aí em cima. Alguns foram volumes emprestados que devolvi, outros eram meus mas emprestei,  e há até os que sumiram. E quem reconhecer um livro seu na imagem, fique tranquilo: vou devolver! É só me lembrar de quem é…

Comecei a publicar no Facebook uma série de pequenas biografias mais ou menos imaginárias, que traçam uma espécie de arqueologia da estupidez humana. Crio um texto a partir de uma imagem anônima, geralmente tosca, ou escrevo e depois tento encaixar uma imagem correspondente.  Alguns exemplos podem ser lidos nos posts anteriores.

Se isso vai virar livro, não sei. Não foi concebido pra isso. Mas faço aqui uma promessa de ano novo, já no final de janeiro: terminar o romance policial que comecei a escrever e abandonei há um semestre.

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