INDÚSTRIA AMERICANA, O FILME

American-Factory

Uma fábrica da GM na cidade de Dayton, Ohio, foi desativada, deixando centenas de desempregados. Não é um problema local, mas mundial, certo? Alô, pessoal da Ford de S. Bernardo!

Em 2015, uma indústria chinesa de vidros automotivos assume a planta, e instaura novos métodos de trabalho. A equipe de documentaristas registra todo o processo (Já havia feito um doc antes sobre o último carro fabricado, e veio junto com o pacote comprado pelos chineses).

Em Roma, faça como os romanos”. A citação do novo patrão, num dos discursos iniciais, é um dos elementos do embate entre culturas diferentes, métodos de produção inconciliáveis e posições políticas em transe perante a crescente robotização industrial.

A maior potência do mundo cada vez mais se infiltra na economia da segunda maior potência do mundo. Não apenas compra ações na Bolsa de Nova Iorque, mas fábricas inteiras, bancos e produtoras cinematográficas, entre outros ramos.

O casal de diretores é muito hábil em entrelaçar depoimentos que abarcam vários pontos de vista. A edição é ágil, a fotografia primorosa, trilha sonora perfeita, e tudo isso contribui muito para o resultado. O filme ilustra muitas das teses do historiador Yuval Harari (Homo Deus, 21 Lições para o Século XXI) , sem cair em maniqueísmos.

Não é que não tome partido, atenção! A mensagem é basicamente humanista, alertando para a necessidade de construir um diálogo permanente entre as partes (capital x trabalho, no caso), apontando para a desumanidade de certas escolhas, revelando as contradições de um sistema “perfeito”. Pode não ser a tua ou a minha escolha, mas é merecedora de aplausos pela pertinência da inserção no debate contemporâneo.

Mereceu o Oscar? Sei lá, não vi todos os concorrentes, só o brasileiro Democracia em Vertigem. Que aliás, é muito bom. Há momentos na História em que é necessário ter lado, tomar partido, assumir uma posição. J’accuse, como diria Zola.

Petra Costa fez um filme urgente, necessário, pessoal e também universal, desnudando um golpe contra a democracia. Julia Reichert e Steven Bognar não esconderam que tiveram apoio do casal Obama na produção do filme. Democratas americanos, capitalistas chineses, operários explorados. É o zeitgeist da vez, com o qual temos de lidar.

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