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Renavegando o Moldava

Moldava

Um rio, pela própria natureza, é algo em movimento. Não ocupa apenas um espaço, mas existe no tempo. Alguns poetas cantam o rio que passa em sua aldeia. Outros falam do rio que passou por sua vida, ou daquele marcou sua memória. Os geofísicos, que de vez em quando são poetas, falam de rios aéreos. As águas podem ser violentas, mas e as margens que o comprimem?, perguntou Brecht.

Ninguém se banha no mesmo rio duas vezes, dizia o grego Heráclito. A música é um rio. Passa por nós, mergulhamos nela, nos atravessa, e nunca é a mesma. Se parecer igual, é uma poça dágua, não um rio.

Dentre os vários rios que atravessei e que me atravessaram, o rio Moldava é uma lembrança permanente. Um rio que cruza a República Tcheca, que nunca vi de perto, mas sinto a suavidade de suas águas cada vez que ouço Vltava (o Moldava), poema sinfônico de Smetana (1828/1884) que descreve sensorialmente o trajeto do rio desde sua origem, formado por dois córregos, o Moldava Frio e o Moldava Quente, até cruzar a capital, Praga.

A biografia de Bedrich Smetana informa que ele morreu surdo e louco. A vida infeliz não impediu que ele escrevesse uma das belas obras musicais do século XIX. A melodia sugere o murmurar de um pequeno curso dágua que vai se encorpando, recebendo gotas de chuva, atravessando vilas em festa, até se tornar grande, imponente. É considerado um hino informal tcheco, e a melodia principal, talvez originária de uma ciranda popular e anônima, acabou transportada para o Oriente Médio, tornando-se o hino nacional israelense.

A versão original é para orquestra, e só ela exprime toda a intensidade desejada pelo angustiado Smetana. Há versões exemplares das Sinfônicas de Berlin, de Londres e da Filarmônica de Tóquio. Mas o que motivou esse pequeno texto foi uma versão para harpa, interpretada de forma magistral por Valérie Milot, que me fez mergulhar nesse rio como se fosse a vez primeira.

E foi, e é, e será, como queria Heráclito.

Clique aqui para ouvir: Moldava

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A Besta Fera está solta

Macalé

Há muito tempo que Jards Macalé estava devendo um disco como Besta Fera. Com uma carreira marcada por intervalos e descontinuidades, começou na praia generosa do samba, na década de 60, e fez de tudo um pouco. Estudou música com grandes mestres, flertou com a Tropicália, fez direção musical para Maria Bethânia, participou do Fa-tal de Gal Costa, foi pra Londres com Caetano, virou ator do Cinema Novo, compôs trilhas sonoras de filmes e peças teatrais, musicou poemas de Brecht, espantou a platéia de festivais com performances desconcertantes.

Algumas composições alcançaram merecido sucesso. Vapor Barato, imortalizada por Gal nos anos 70, recebeu novo fôlego com a versão do Rappa de 1996. Mal Secreto, Movimento dos Barcos (parceria com Capinam), Hotel das Estrelas ou Anjo Exterminado também fazem parte do repertório de uma geração.

Sempre arisco em relação à indústria cultural, rompeu com os tropicalistas e reaproximou-se dos mestres do samba, gravando clássicos de Nelson Cavaquinho, Lupiscínio, Geraldo Pereira e Paulinho da Viola (4 Batutas & 1 Coringa, de 1992) ou Ismael Silva (Peçam Bis, com Dalva Torres, em 1988). A admiração pelo velho malandro Moreira da Silva também rendeu shows e parceria.

Carregando o epíteto de maldito, Macalé parecia ser uma figura congelada no final do século XX. Poucas aparições na mídia, raros shows, nenhum disco relevante nos anos 2000. Uma homenagem aqui, outra ali, sempre despertando certa curiosidade entre os jovens pela postura meio anarquista. Zeca Baleiro fez música em sua homenagem, e chegou a convidá-lo para dividir o palco. Assim como a Tropicália e o Cinema Novo, parecia fazer parte de uma era perdida neste país sem memória.

É aí que entra na história o cada vez mais influente grupo paulista formado por Kiko Dinucci, Rômulo Fróes, Rodrigo Campos, Juçara Marçal, Thiago França, Nuno Ramos, Gui Amabis e mais alguns. Gente que propõe novas sonoridades sobre poéticas dissonantes, e que constrói com inteligência improváveis pinguelas entre o tradicional e o novo.

E, como já haviam feito com Elza Soares, colocam o excêntrico bardo carioca na turbulência do nosso século. Besta Fera é um conjunto de 12 canções autorais, algumas em parceria com gente como Ava Rocha, Rômulo Fróes, Clima, Capinam, Ezra Pound (!) e Gregório de Matos. O trabalho foi produzido por Kiko Dinucci e Thomas Harres, que também tocam em várias faixas. A guitarra de Guilherme Held e o baixo de Pedro Dantas são irretocáveis, e ajudam a criar texturas originais e estranhamente belas.

E dá-lhe samba elétrico, balada sombria, canção desvairada, rock desconstruído. As participações especiais de Tim Bernardes (vocal e parceria no samba-canção Buraco da Consolação) e Juçara Marçal (na linda Peixe, com citação de Dorival Caymmi) valorizam o intrigante e empolgante conjunto de canções. Pra completar, a foto de capa, do agora imortal Cafi, é antológica. O autor de mais de 300 capas da MPB morreu na virada do ano, e teve a sorte de não viver no país dos bolsonaros.

O tempo não existe/ e essa é a graça”, canta o artista em Tempo e Contratempo. Bem vindo ao nosso contratempo, Macalé, e permaneça por um bom tempo!

(publicado originalmente na http://www.revistamusicabrasileira.com.br)

Viola Perfumosa, com celo e vozes

viola-perfumosa

Ninguém pode negar que 2018 foi um ano turbulento. Rolaram algumas coisas boas, muitas coisas ruins, e vamos precisar de algum distanciamento para avaliar o impacto disso no futuro.

No campo da música popular, não poderíamos deixar de destacar aqui na Revista Música Brasileira um dos trabalhos mais delicados e profundos vindos à luz em 2018. Três personalidades com carreiras distintas, mas unidos por um dedicado amor pela cultura brasileira.

Ceumar, cantora e instrumentista, tem voz de nascente fresca no meio da mata. É também uma das mais importantes compositoras contemporâneas, atente! Lui Coimbra, rara combinação de violoncelista e cantor, é conhecido por gravações com Ney Matogrosso, Zizi Possi, Alceu Valença e outros figurões, e tem um lindo disco-solo no currículo, Ouro e Sol. Paulo Freire é mestre da viola brasileira e universal, contador de causos e também compositor, desde que tomou água do Urucuia léguas de tempo atrás.

Precisaria de mais uns três parágrafos pra falar deste trio, mas o espaço é curto e o foco é na confluência destas correntes musicais. As origens são história, basta pesquisar.

Mas Viola Perfumosa, disco e show, foram dedicados a Inezita Barroso, e isso já diz tudo. Estamos falando aqui do Brasil profundo, das coisas da terra, do cheiro de capim molhado de sereno. Tudo isso filtrado com refinamento, com a sabedoria de quem rodou o mundo e sabe voltar às origens com o carinho tão necessário.

Luar do Sertão abre o espetáculo, colocando um novo perfume na imortal canção de João Pernambuco e Catulo da Paixão Cearense. Tamba-Tajá, do mestre Waldemar Henrique, renasce pelas mãos e vozes do trio. Índia, o clássico de Cascatinha e Inhana, ganha versão encantadora. Paulinho Freire conta um novo causo, e o repertório ganha um tom mais brejeiro, passando por cantigas do sertão do Caicó (lembra do Villa-Lobos?)

Moda da Pinga é a canção emblemática da homenageada Inezita (tá bom, sei que muita gente vai dizer que é Lampião de Gás ou Ronda. Mas este é o lado urbano da mestra, tão importante quanto).

Horóscopo, de Alvarenga, Ranchinho e Capitão Furtado, é feita com humor caipira e maroto, e é impossível ouvir a nova versão sem um sorriso nos lábios. A beleza de Oi Calango Ê (Hervê Cordovil) nos faz ver, como num filme, as mulheres trabalhando nos cafezais. Coco do Mané (Luiz Vieira) abre alas para as delícias de Bolinho de Fubá (Edvina de Andrade), encerrando com Chitãozinho e Chororó (Athos Campos/ Serrinha) e um belo texto falando da menina Ignez, a homenageada. O auxílio luxuoso de Marcos Suzano em duas faixas é a pitanga que faltava no bolo de fubá.

Esqueci algo? Ah, claro, Amo-te Muito, bela canção de João Chaves, onde Lui Coimbra abre o coração e Ceumar faz uma segunda voz sublime. Quem foi no show, ouviu outras maravilhas. Quem comprar o CD vai querer ouvir muitas vezes.

Quando os gafanhotos cibernéticos parecem destruir tudo o que plantamos por décadas, instaurando uma nova ordem mundial de tediosa e rasteira uniformidade, um disco como Viola Perfumosa soa como alento. Passadista, para alguns, ainda que belo. Inseminador e essencial, para os que acreditam em futuro.

(publicado originalmente na http://www.revistamusicabrasileira.com.br, em dezembro de 2018)

Hiperrealismo reacionário?

hiperrealismo

Os artistas demoraram 30 séculos para se libertarem da obrigação de copiar a realidade com perfeição. Alguns mestres do período clássico já retorciam formas, inventavam seres imaginários, paisagens fabulosas, mas ainda se atinham ao figurativismo mimético.
O século XIX, romântico por excelência, expandiu os limites. Linhas foram tornando-se tênues, cores misturando-se com formas, até que o Impressionismo floresceu como uma bruta flor sensorial, mágica, mas com raízes na realidade.
E veio o Fauvismo, o Cubismo, o Expressionismo, o Suprematismo, o Surrealismo, e o século XX destampou a caixa do Abstracionismo. O artista podia inventar formas, não apenas copiá-las!
Como a música dodecafonista ou a poesia automática dos surrealistas, a coisa durou alguns anos e se esgotou (será?). Quando não há limites, não há parâmetros de comparação (será?).
Tudo isso me veio à mente depois de visitar a exposição 50 Anos de Realismo – Do Fotorrealismo à Realidade Virtual, que está no CCBB de São Paulo.
Será um movimento reacionário das artes? Voltar à cópia “perfeita” da realidade é um retrocesso? Rostos perfeitos, corpos que parecem vivos, paisagens que (quase) se podem tocar, são arte? Cópia? Simulacro?
Desconfio de que no final do século XIX isso seria visto com desprezo. Hoje, com nossa bagagem cultural acumulada, não estamos vendo apenas uma réplica do real, mas uma réplica com uma carga histórica por detrás. Como se o autor nos dissesse “veja, estou retomando os ideais renascentistas com todas as técnicas e materiais que o século XXI nos oferece, e isso é novo!”
Vale a visita, e vale refletir sobre este século que não inventa, mas tenta reinventar.
(escultura de Giovani Caramello, artista de Santo André, SP)

A injustiça de Deus

Nêmesis

Philip Roth (1933-2018) é um dos mais destacados escritores da virada do século XX para o XXI. Escreveu muito, e foi devidamente premiado e congratulado por isso. Romances como Complexo de Portnoy ou Pastoral Americana são indispensáveis para quem quer conhecer a literatura americana contemporânea.

Embora tenha escrito contos e ensaios, é como romancista que conquistou seu lugar na eternidade. Nêmesis, uma obra menor, retoma de forma angustiada o desafio presente em suas últimas obras: a ação do acaso sobre nossas vidas, a catástrofe das escolhas impulsivas, a impotência do indivíduo perante o drama coletivo.

Nêmesis acaba se notabilizando por ser a última peça de ficção de Roth. Como sucede com vários escritores, não tem o brilho intenso das obras mais famosas (vide Machado de Assis e seu Memorial de Ayres), mas carrega em sua escritura toda a sabedoria e clareza de quem sabe onde quer chegar.

O início tem a objetividade de uma reportagem: “O primeiro caso de poliomielite naquele verão foi registrado no começo de junho, logo depois do Memorial Day, feriado que marca o começo da estação, num bairro pobre de italianos do outro lado da cidade.” Estamos no ano de 1944, na cidade de Newark, Nova Jersey. O protagonista é um jovem judeu atlético, professor de esportes, que sofre por ter sido dispensado da Guerra em virtude de seu alto grau de miopia. Por trás dos óculos fundo-de-garrafa, Bucky Cantor é adorado pelos alunos, tem uma noiva ideal, sente falta dos amigos que estão lutando no Pacífico. Um sujeito do bem, portanto.

Mas a doença começa a entrar em sua vida. Primeiro, roubando seus alunos. Depois, fazendo com que saia da cidade, atormentado por uma crise de consciência: deveria ficar e lutar para minimizar os efeitos maléficos da epidemia, ou se resguardar para salvar a própria vida? Vale lembrar que Nêmesis, na mitologia grega, é a deusa da vingança divina, da retaliação.

Em menos de 200 páginas, acompanhamos o drama de Bucky Cantor, sua noiva, seus alunos, com a Ceifadeira fazendo estragos previsíveis (o presidente americano, Franklin D. Roosevelt foi uma vítima ilustre da polio, também conhecida como paralisia infantil). Seria um relato competente, mas comum, se não fosse o último capítulo, um verdadeiro golpe de mestre literário.

Alguns anos depois, um ex-aluno reencontra o protagonista, e entabulam uma conversa sobre o período infernal. É então que emergem todas as inseguranças, os rancores, as suspeitas, as descrenças na medicina e na fé, que dão uma dimensão mítica ao relato. A impotência do homem perante as circunstâncias é cruamente colocada, ao mesmo tempo em que se demonstra que muitas vezes fazemos a escolha mais insensata diante da perspectiva da tragédia.

Roth reafirma seu talento com as palavras, e encerra a brilhante carreira de forma digna, com a velha lâmina, ainda afiada, cortando fundo em nossas convicções.

A bela revolta das canções

Evandro Camperom_baixa

Evandro Camperom ataca novamente, com fúria musical e poesia explosiva. Em seu terceiro CD, A Revolta do Parafuso, lançado em setembro de 2018, os climas tensos se alternam com batidas mais sacudidas, sempre sublinhando letras de alta voltagem poética.

Pernambucano radicado em São Paulo, Camperon é mestre em imagens inusitadas, que tem o dom de nos fazer ouvir uma canção várias vezes (com prazer!) para apreender todos os sentidos. Sua música é absolutamente contemporânea, mesclando tradição e modernidade com plena eficiência. Timbres elétricos convivem com violões acústicos, métricas milenares se alternam com versos inovadores, baião e samba convivem com pop/rock de vanguarda, formando um amálgama de forte impacto.

Evandro é professor, além de cantor, compositor e músico. É mestre em Educação pela USP, e o título de sua dissertação é “Ouvidos abertos: a oralidade, a escrita e a canção”. Tendo vivido a infância no sertão nordestino, carrega até hoje o sotaque e a admiração pelos cantadores, sanfoneiros e repentistas, cultivados dentro de sua casa. Seu pai, também músico e compositor, é influência confessa.

Vivendo na metrópole desde jovem, o compositor soube filtrar todas as influências e criar um estilo próprio. Alguns exemplos, pinçados ao acaso, podem dar uma pequena ideia do refinado artesanato desse craque das palavras:

Cada um de nós é um/ que se desdobra em multidões” (Pedra de Raio)

Um filho é feito a voz/ vai sempre além de nós”.

diamante nas trevas/ corpo que carrega outros sóis.” (Feito a Voz)

Minha galega me disse assim/ meu nego, por favor, não chore não/ que nesse tempo tinhoso, mal ajambrado/ o amor é forma de subversão” (Querolina)

O tempo rabisca seus poemas/ em nuvens de pó” (Fora Dágua)

Há de se dar nome aos boys/ há de se saber quem sois/ quem é que se cala e quem fala por nós”. (Nome aos Boys).

Esta última tem um clipe impactante no Youtube, ótimo cartão de visitas para quem não conhece Evandro Camperom.

Seria fácil transcrever algumas letras, porém é mais estimulante recomendar a audição e a descoberta gradual de todas as fímbrias ocultas nas composições desse admirável músico brasileiro e universal. A Revolta do Parafuso merece um lugar em todas as listas de melhores do ano de 2018!

(publicado originalmente na http://www.revistamusicabrasileira.com.br)

Nos rastros de Homero

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Ismail Kadaré é uma figura notável no mundo da literatura. O fato de ser albanês o torna uma espécie de ornitorrinco, um espécime muito raro, endêmico. Se tivesse nascido em Java ou nas ilhas Fiji, remotos lugares que só conhecemos por imagens do National Geographic, seria compreensível. Mas a Albânia está na Europa, faz fronteira com a Grécia, e só algumas milhas de mar Adriático a separa do salto da bota italiana. Entre gregos e romanos, portanto.

Como um país como esse ficou isolado por tanto tempo da chamada cultura opcidental? É certo que após a II Guerra Mundial passou por uma ditadura comunista obscura, mas e os vinte séculos anteriores?

Kadaré se tornou conhecido dos brasileiros depois que seu belo romance Abril Despedaçado foi roteirizado para o cinema por Karim Ainouz e dirigido por Walter Salles. Uma história trágica de traições e vinganças, num clima quase medieval, foi transplantada para o Nordeste brasileiro com talento e respeito ao enredo original.

Mas Kadaré não é só tragédia. Dossiê H, escrito em 1991, dez anos antes de Abril Despedaçado, é muito engraçado. Pelo menos até a primeira metade da história…

Dois jovens irlandeses, estudantes de literatura em Nova York, nos anos 30, resolvem ir para a Albânia (então um reino, governado pelo rei Zog). Acreditam que ali há pistas da tradição homerista, ou seja, da Ilíada e da Odisséia. Querem demonstrar que os rapsodos da cultura popular albanesa carregam consigo as marcas ancestrais da grande epopéia. Os pesquisadores levam um aparelho recém inventado, um gravador, onde pretendem registrar os cantos homéricos.

A Embaixada da Albânia concede os vistos, mas suspeita de que são espiões. O prefeito da região remota onde vão se instalar recebe instruções para vigiá-los. A mulher do prefeito vê nos irlandeses a oportunidade de um romance proibido, capaz de tirá-la da monotonia em que vive.

Está criada a trama. Pouco a pouco, somos levados a um mergulho na cultura rural albanesa, na tradição dos rapsodos, no isolamento da Península Balcânica. Os conflitos entre tradição e modernidade, cultura erudita e popular, ciência e supestição, são colocados na mesa com muita habilidade.

Dossiê H foi publicado pela Companhia das Letras em 1990, e já teve várias reedições. Kadaré nos envolve com um grande senso de humor, e pouco a pouco vai desvelando a barbárie, desembocando num final dramático, onde com maestria funde o mito do poeta épico cego com a realidade que custamos a enxergar.

Romance delicioso, escrito por um dos grandes mestres da literatura contemporânea.


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