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Hiperrealismo reacionário?

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Os artistas demoraram 30 séculos para se libertarem da obrigação de copiar a realidade com perfeição. Alguns mestres do período clássico já retorciam formas, inventavam seres imaginários, paisagens fabulosas, mas ainda se atinham ao figurativismo mimético.
O século XIX, romântico por excelência, expandiu os limites. Linhas foram tornando-se tênues, cores misturando-se com formas, até que o Impressionismo floresceu como uma bruta flor sensorial, mágica, mas com raízes na realidade.
E veio o Fauvismo, o Cubismo, o Expressionismo, o Suprematismo, o Surrealismo, e o século XX destampou a caixa do Abstracionismo. O artista podia inventar formas, não apenas copiá-las!
Como a música dodecafonista ou a poesia automática dos surrealistas, a coisa durou alguns anos e se esgotou (será?). Quando não há limites, não há parâmetros de comparação (será?).
Tudo isso me veio à mente depois de visitar a exposição 50 Anos de Realismo – Do Fotorrealismo à Realidade Virtual, que está no CCBB de São Paulo.
Será um movimento reacionário das artes? Voltar à cópia “perfeita” da realidade é um retrocesso? Rostos perfeitos, corpos que parecem vivos, paisagens que (quase) se podem tocar, são arte? Cópia? Simulacro?
Desconfio de que no final do século XIX isso seria visto com desprezo. Hoje, com nossa bagagem cultural acumulada, não estamos vendo apenas uma réplica do real, mas uma réplica com uma carga histórica por detrás. Como se o autor nos dissesse “veja, estou retomando os ideais renascentistas com todas as técnicas e materiais que o século XXI nos oferece, e isso é novo!”
Vale a visita, e vale refletir sobre este século que não inventa, mas tenta reinventar.
(escultura de Giovani Caramello, artista de Santo André, SP)

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