Arquivo para outubro \20\UTC 2014

Dilmistas X aecistas

Tá, sei que o título é reducionista, para alguns. E generalista, para outros. Difícil agradar todos, né? Esta é a encruzilhada em que o Brasil está, em outubro de 2014, véspera do segundo turno das eleições. A internet se tornou um campo de batalha, onde militantes virtuais (em sua grande maioria, limitantes reais) esbravejam e se apoiam nos “amigos”. Entre em qualquer fakebook de esquerda e vai ver enquetes onde Dilma é a grande vitoriosa. Em fakebooks de direita (e também dos liberaizinhos que não se acham de direita), o sentimento anti-petista corre solto, e a libertação do Brasil está próxima.

Libertação? Desde quando a volta do neo-conservadorismo é libertação? Os patrões mais carrascos, os militares mais linha-dura, os fanáticos religiosos mais radicais (desculpe a redundância), as donas-de-casa mais carolas, os machistas mais empedernidos, os racistas mais encarniçados, estão do lado A (de Aécio). O sequestro de expressões caras à quem lutou contra a escravidão, contra a ditadura militar, contra a censura, é acintosa. A repetição de mentiras como “o Brasil está falido!”, “o PT quer instaurar uma ditadura socialista” ou “o perigo do bolivarianismo” é repetido ad nauseam. As manipulações midiáticas encontraram terreno propício à fermentação dessas ideias fora do lugar (como diria o crítico literário Roberto Schwarz).

Enfim, esta situação é culpa do PT, mas não é só culpa do PT. É da falta de democratização dos meios de comunicação, que são capitanias hereditárias nesse país. É da longa tradição de corrupção em todos os níveis, que envolve a velha(ca) imprensa até a raiz dos cabelos. É da falsidade reinante, que pela segunda vez na história recente do país escolhe um playboy da oligarquia para enfrentar um governo de, vá lá,  esquerda. Na primeira vez, deu no que deu: impeachment. Agora o playboy da vez tem ligações com o narcotráfico. Helicópteros de cocaína, aeroportos clandestinos (construídos com o dinheiro público), histórico de bebedeiras e violência contra mulheres. Vida particular não interfere na vida pública? Se não envolvesse recursos públicos, concordaria.

Bem, nada do que eu possa dizer pode ser melhor do que a clareza das imagens desse vídeo, que retrata duas manifestações em Belo Horizonte. Dilmistas X aecistas. A festa, o samba, o riso, contra o Hino Nacional e o verde-amarelismo que disfarça o fascismo. O depoimento sincero de um negro pobre que se sente mais feliz no Brasil de agora contra o preconceito escarrado e mal-educado dos que ainda se acham elite. Só não vê quem não quer.

 

Leme no Choro

Semana Seu Geraldo

A criatividade e persistência dos músicos brasileiros é amplamente conhecida. Muitas vezes,sob condições adversas, com poucos recursos e distante dos grandes centros, conseguem organizar, reunir e concretizar um cenário musical propício à criação e ao surgimento de novas gerações de instrumentistas e compositores.

Na semana de 18 a 25 de outubro, na cidade de Leme, no interior paulista, se realiza um desses pequenos milagres de multiplicação da música. Trata-se da IV Semana Seu Geraldo de Música, que reúne chorões de todo o país e até do exterior. Mas… choro em Leme? Pra quem não sabe, a fama da cidade como polo gerador de música instrumental vem de longe, e lhe valeu o apelido de Morada do Choro.

Como em tantas cidades do interior, a história musical de Leme surgiu em torno das bandas e fanfarras, tradição mantida até hoje. Por ali passaram inúmeros intrumentistas, como o homenageado Geraldo Azevedo, multi-instrumentista que se destacou como acordeonista e animador da cena cultural local.

Seu Geraldo, como ficou conhecido, é pai de Nailor Proveta, um dos maiores instrumentistas de sopro do país. Arranjador de mão cheia, Nailor domina todas os gêneros musicais, e mantém uma forte relação com o choro e com a cidade natal. Nada mais natural que seja o anfitrião da Semana Seu Geraldo, quando a cidade se torna um local privilegiado para os fãs da boa música instrumental brasileira.

As apresentações são diárias na concha acústica da Praça Rui Barbosa, no centro, com generosas rodas de choro na choperia Zero Grau. Músicos tarimbados realizam cursos e oficinas na Faculdade Anhanguera, atraindo grande número de estudantes. São nomes do calibre de Toninho Carrasqueira, Mauricio Carrilho, Pedro Aragão, Jayme Vignoli, Paulinho Leme e o próprio Nailor Proveta, entre outros (veja lista completa em http://www.escolaportatil.com.br) .

A IV edição da Semana Seu Geraldo lembrará também a obra de Aracy de Almeida e Lupicínio Rodrigues, que fariam 100 anos em 2014, e homenageará três bambas locais: Joaquim Baccarin, José Justino e José Aparecido Montoan, que integram a Velha Guarda da Banda de Leme. A cereja do bolo é o show de encerramento no sábado, com Mônica Salmaso e os professores oficineiros.

Esta é a semana para conhecer Leme, ouvir boa música, preparar o espírito cívico e votar de coração tranquilo na melhor candidata. Experimente!

PROGRAMAÇÃO

Shows e Apresentações
Local – Concha Acústica Vereador Donato Ciccone, Praça Rui Barbosa

Dia 18 | Sábado
21h00 – Show Baile “Boas-vindas” com a Orquestra de Choro “Os Matutos”, participações dos Mestres Oficineiros do festival

Dia 19 | Domingo
20h00 – Banda Maestro Angelo Cosentino, Nailor Proveta e convidados

Dia 21 | Terça-feira
19h00 – Alexandre Ribeiro Quarteto

Dia 22 | Quarta-feira
19h00 – “Entre Linhas”, com César Roversi e Quinteto

Dia 24 | Sexta-feira
18h00 – Apresentação final dos alunos com os Mestres Oficineiros
21h00 – “Choro Contemporâneo e suas Referências”, com os Mestres Oficineiros do festival

Dia 25 | Sábado
21h00 – Mônica Salmaso e os Mestres Oficineiros do festival